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Treze anos depois, o Bombarralense volta a sentir as emoções da Taça de Portugal

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Na época passada o Bombarralense garantiu, com o terceiro lugar, o acesso à Taça de Portugal. Esta época o grupo mantém-se praticamente inalterado

Clube recebe este domingo o Vizela, da 2.ª Liga. Mais do que o resultado, André Tomaz e Sílvio Mesquita querem que o jogo fique na memória dos jogadores e dos adeptos

Há jogos que valem mais do que os 90 minutos. O encontro de domingo entre o Bombarralense e o Vizela, da 2.ª Liga, será um desses momentos. Treze anos depois da última participação na Taça de Portugal, o clube do Bombarral volta à competição e recebe uma equipa profissional num jogo que representa, para além do desafio desportivo, um prémio pelo caminho percorrido nas últimas épocas.
André Tomaz, treinador do Bombarralense, reconhece a dimensão especial do momento. “A Taça de Portugal é uma prova rainha, é sempre uma prova muito motivadora. Não há equipa que não goste da Taça de Portugal e há sempre uma ansiedade muito grande nos balneários de ver qual é a equipa que nos sai em sorte”, explica.

Após ter ficado isento na primeira ronda, o sorteio colocou pela frente um adversário de três escalões acima, mas a equipa técnica não quer que a diferença de estatuto retire ambição ao encontro. “O normal é sermos goleados, mas nós acreditamos sempre que podemos fazer algo mais”, assume André Tomaz. Esse “algo mais”, acrescenta, passa por “sermos competitivos” e por agarrar “uma pontinha de uma décima de alguma coisa que pode acontecer, que faz com que o futebol seja o desporto real”.

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A diferença entre os dois clubes é, contudo, evidente. O Vizela chega ao Bombarral com jogos oficiais nas pernas, enquanto o Bombarralense ainda não iniciou o campeonato (a Divisão de Honra distrital começa este domingo e o Bombarralense teve que adiar a estreia). Para o treinador, essa realidade torna ainda mais relevante a experiência. “Mais do que as divisões, é o contexto dos clubes”, sublinha, lembrando que o Bombarralense é uma equipa de “amadorismo total”, enquanto o adversário vive uma realidade profissional.

Mas a Taça também pode servir para aproximar o clube da população. André Tomaz fala num regresso ao “cheiro a nacional”, algo que, na sua opinião, “traz coisas boas, motiva as gentes, relembra outros tempos”. O treinador espera, por isso, que o jogo possa reacender a ligação entre o Bombarralense e os seus adeptos.

“Estes jogos são aqueles que nos marcam”, afirma. E podem deixar marcas para além do próprio domingo. “As pessoas devem reencontrar amigos, ganharem a rotina de continuar a acompanhar a equipa e isso para nós era excelente.”

Um prémio pelo trabalho
A presença na Taça de Portugal resulta do terceiro lugar alcançado na temporada passada, numa campanha em que o Bombarralense chegou a discutir os primeiros lugares até perto do final. Para Sílvio Mesquita, diretor desportivo, a participação é sobretudo “um prémio pelo trabalho efetuado” pelos jogadores e pelo clube.

O dirigente recorda uma época particularmente exigente, marcada por dificuldades no plantel e pela necessidade de improvisar soluções. “Foi uma época difícil, onde o grupo se superou em todos os aspectos e acaba por ser um prémio justo para eles.”

O regresso à Taça surge também como reflexo da recuperação de um clube que passou por um período complicado. “Desde que entrou esta direção, conseguiu resolver os problemas e reestruturar”, afirma Sílvio Mesquita. A prioridade tem sido crescer sem dar passos maiores do que as pernas. “Estamos com os pés bem assentes na terra e temos feito o caminho, consoante as capacidades, sem comprometer nada.”

Essa filosofia prolonga-se para o projeto desportivo. André Tomaz explica que o objetivo não é falar já em subidas, mas consolidar o Bombarralense entre os melhores da divisão. Depois do terceiro lugar da época passada que ficou bastante acima das expectativas iniciais, a meta passa por terminar nos cinco primeiros. “Queremos que o Bombarralense seja um clube cada vez mais identificado com os primeiros lugares desta divisão”, diz.

A continuidade do plantel é uma das bases desse projeto. O clube renovou com 21 jogadores. “A ideia é continuar a competir connosco próprios, ou seja, sermos melhores”, resume o treinador.

Para Sílvio Mesquita, o horizonte é mais ambicioso, mas sem pressas. A direção pretende criar condições para, no futuro, o Bombarralense poder chegar ao Campeonato de Portugal. “Para isso é preciso ter condições e estar estruturado”, salienta. O crescimento, defende, terá de ser equilibrado entre as vertentes desportiva, financeira e organizacional.

É também por isso que o jogo com o Vizela ganha outra dimensão. A organização de uma partida da Taça de Portugal contra uma equipa profissional obriga o clube a adaptar procedimentos, reforçar a segurança e alterar o próprio recinto, que, curiosamente, tinha medidas superiores às máximas e teve que ser encurtado um metro na largura. “Esta logística obriga-nos a ter outro tipo de atividade durante a semana”, explica o diretor desportivo.

No domingo, porém, toda essa preparação dará lugar ao futebol. Para muitos jogadores do Bombarralense, será a oportunidade de defrontar atletas que habitualmente veem na televisão. Para o clube, um regresso a uma competição que durante 13 anos ficou distante.
O resultado ficará para a estatística, mas “este dia vai ficar marcado na história de todos”, defende Sílvio Mesquita.

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