Quarta-feira, 21 _ Outubro _ 2026, 10:58
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Oeste ficou abaixo da média nacional do PRR

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Responsáveis de organismos estatais e empresários juntos em debate sobre futuro do Oeste

A Região Oeste apenas beneficiou de 434 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), do pacote nacional de 22.216 milhões, tendo ficado muito abaixo da média nacional. A revelação de Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, ocorreu no debate realizado na segunda-feira, no Bombarral, pelo Núcleo Territorial de Óbidos da Iniciativa Liberal. O programa de investimento gizado pela União Europeia para apoiar a recuperação económica e social após a pandemia de Covid 19, que terminou formalmente em 31 de agosto, teve no Oeste um investimento contratado de 434 milhões de euros, que em termos per capita representa 952 euros/habitante, muito aquém da média nacional de 1560 euros/habitante. “O que é aqui distintivo, tal como na região de Leiria, é que as empresas são responsáveis por mais de metade do investimento”. Foram contratados cerca de 12 mil projetos. “As empresas foram capazes de responder aos desafios, com um investimento de 256 milhões de euros e, face ao efeito multiplicador, pode ascender a mais de 400 milhões de investimento”, destacou Pedro Dominguinhos. A este propósito deu como exemplo a empresa de produção de drones Tekever, nas Caldas da Rainha, e, na Nazaré, o projeto ‘Oceano Fresco’, que aposta na produção de ameijoas em aquacultura, “algo que praticamente não existe no mundo”. Também houve vários projetos de inovação agrícola mas em que falta o passo seguinte, que “é tornar esse conhecimento em novos produtos para os mercados”. Já quanto ao investimento público, a maior fatia foi feita no reforço do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo ao nível dos cuidados de saúde primários, os Centros Tecnológicos Especializados ao nível do ensino profissional e as respostas sociais. “Onde ficámos claramente abaixo foi na habitação”, frisou Pedro Dominguinhos. Nesta área, o maior investimento ocorreu nas novas residências universitárias nas Caldas da Rainha e Peniche. Mas já quanto à construção de novas habitações para a população, de investimento público, os valores são residuais nos 12 concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal do Oeste. Contudo, fez questão de elogiar a OesteCIM no âmbito da agenda dos territórios inteligentes, “um caso de estudo” que “serviu de incentivo para outros territórios a nível nacional”.
Pedro Dominguinhos foi um dos oradores do primeiro painel, “Desenvolvimento Económico e Regional: estratégias para o futuro”, que contou ainda com José Bernardo Nunes (vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo) e Miguel Rangel (deputado da IL). O segundo painel, “Apoio às empresas na região: oportunidades e incentivos ao crescimento”, teve a participação de Luís Souto Barreiros (presidente do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas), Francisco Toscano Rico (presidente do Instituto da Vinha e do Vinho), Filipe Ribeiro (presidente da Associação Nacional de Produtores de Pêra Rocha) e Célia Cardoso (administradora da empresa bombarralense Viveiros Vitioeste, S. A.). O responsável do IFAP pormenorizou também que no último ano o Oeste beneficiou de 26 milhões (1,5 mil milhões de Portugal Continental), ou seja, 1,7% dos pagamentos do continente. De acordo com Luís Souto Barreiros, 12 milhões foram para as medidas do pedido único (apoios da Política Agrícola Comum e que representam 1% do total do Continente), 4 milhões para as medidas de investimento, 2 milhões para o programa Vitis (Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão das Vinhas) e os fundos operacionais tiveram 7 milhões. “Esta é claramente uma medida importante para a região”, destacando-se o peso da fruticultura e do vinho.
Este evento pretendeu fomentar um debate aberto e construtivo sobre as estratégias necessárias para reforçar o crescimento sustentável e a criação de riqueza no Oeste. Para o Bruno Chaves Martins, coordenador do Núcleo Territorial de Óbidos da IL, a região reúne realidades e necessidades diferentes nos diversos concelhos. “E talvez seja essa diversidade uma das maiores forças do Oeste”, razão pela qual é preciso um maior investimento, iniciativa privada com condições para o fazer e que “as políticas públicas, os instrumentos de financiamento e as instituições consigam acompanhar as necessidades reais do nosso território”. Também a líder dos liberais e deputada na Assembleia da República acompanhou esta visão, defendendo “um país onde crescer compensa e onde o sucesso é celebrado”. Isso passa pela eliminação das penalizações fiscais, facilitando fusões, parcerias e associativismo. “É aquilo que o Oeste tem muito a ensinar, com cooperativas e organizações de produtores que perceberam há muito que juntos se chega mais longe”, defendeu Mariana Leitão.

Mariana Leitão, em dia de aniversário, com Bruno Chaves Martins, do Núcleo de Óbidos da IL
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