Quarta-feira, 14 _ Janeiro _ 2026, 16:54
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De Portas Fechadas

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As famílias mais jovens estavam a perder o hábito de ler histórias aos mais pequenotes. Até porque é bastante mais fácil dar um telemóvel ou tablet a uma criança de dois ou quatro anos, do que ler ou “inventar” uma história da “Cegonha Begonha”, ou do “Pardalito Agapito”…
Nestes tempos de portas fechadas e escolas encerradas, admiro a coragem e imaginação de muitos pais, que (enfiados nos seus apartamentos) procuram criar atividades de desenho, leitura ou jogos. E depois, voltar a colocar tudo nos seus lugares, até porque arrumar também é brincar!
Assustamo-nos perante a impotência mundial para debelar esta pandemia e entristecemo-nos com as afirmações dos governantes que não compreenderam o devido alcance da crise sanitária em que estamos agora mergulhados. Não agiram a tempo e horas, não estabeleceram medidas de contenção e prevenção para minimizar os efeitos deste vírus na saúde dos povos que lhes estão confiados.
A Itália é o tubo de ensaio da Europa nesta matéria, aguardando-se a eficácia das medidas drásticas até agora implementadas. EUA e Espanha já ultrapassaram o número de casos registados na China por este vírus. E a única solução que encontramos é o isolamento!
Li um artigo sobre a possibilidade de cientistas portugueses se juntarem para aumentar o número de testes de diagnóstico à Covid-19: «a comunidade científica do país poderia assegurar mais de dez mil testes por dia». É o exemplo de que se houvesse um “maestro” nesta orquestra de recursos que não se exploram, estaríamos muito mais preparados para debelar esta crise sanitária.
A circunstância em que nos encontramos, de portas fechadas, deverá ser uma excelente oportunidade para que os jovens aprendam a necessidade de fazer sempre a leitura dos acontecimentos, criando a capacidade de visão do que poderá vir a acontecer e assim aprendam a agir na antecipação. Alguns idosos, porém, parecem resistir às medidas de contenção decretadas, porque viveram outros perigos – guerras e perseguições – mas este inimigo é invisível, silencioso e ataca os mais incautos.
Celebramos amanhã o Domingo de Ramos e era habitual ver um pouco por todo o lado as procissões e outras formas de, na rua, se fazer memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Esta Páscoa será diferente. Esta “passagem” terá de ser diferente, na aprendizagem de uma nova maneira de estarmos uns com os outros e com Jesus Ressuscitado. De portas fechadas, mas em comunhão na Oração, de coração aberto.
Estamos fisicamente isolados, mas comunicamos com tudo o que recebemos dos media e com tudo o que partilhamos com os amigos. As portas estão fechadas, mas as janelas abertas, por onde entra o ar puro e o sol de cada dia. Tenhamos coragem para construir o amanhã em segurança!

Diácono J Paulo Romero
Paróquia de Caldas da Rainha

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Edição #5625

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