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Elogio da Imperfeição | Pessoas, caminhos e viagens

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Foi um daqueles encontros felizes.
Tinha-se finalmente organizado o jantar numa data possível para todos. Estava quem queria e devia estar.
No grupo predominavam professores, médicos e psicólogos. Profissões onde a dimensão relacional tem um papel fulcral.
E nesse dia, até a propósito da realidade atual no país, falava-se da importância da empatia e da comunicação dos afetos e das emoções. De como tantas vezes se confunde ser empático, com ser “bonzinho”. De como falar de emoções não tem nada a ver com coraçõezinhos lamechas e enervantes, como se só houvesse as chamadas emoções positivas e não fosse positivo ou possível falar e abordar simultaneamente o negativo. Como se ambos os lados não coexistissem nem estivessem sempre presentes. Da importância que estes aspetos têm a nível relacional e do seu impacto em termos profissionais. De por exemplo na área médica, se estudar e tentar perceber o que o interpessoal interfere no chamado efeito placebo. No peso que a relação tem no efeito terapêutico duma intervenção clínica.

Falava-se de cultura institucional. De como a nível profissional e das instituições, continua a ser tão difícil avaliar e incluir esta dimensão na organização e avaliação do trabalho das pessoas. De como é tão mais fácil optar-se por uma avaliação dos aspetos mais imediatamente quantificáveis e objetiváveis, mas apenas burocráticos e normativos. A Teresa, a rir, disse: “O que falta é um tipo de “sangue” que a este nível é raro. O tipo O Rh+… ou seja, conseguir ser objetivo (O), valorizando e incluindo (+) as relações (R) humanas (h)”. Rimos todos.
Então a Rita, que é informática e casada com o António que é psicólogo, disse: “Eu tenho estado para aqui a ouvir a conversa e a pensar… sabem o que me fascina mesmo nas vossas profissões?… São as histórias que vivem com as pessoas… através das vidas delas, dos caminhos que seguem… dos pequenos e dos grandes pormenores. Por exemplo, lá em casa cada vez que faço croquetes lembro-me da história duma paciente do António, que eu nem imagino quem seja, que aprendeu a fazer croquetes como prenda de anos para o marido e que foi um ato de amor… ou outro dia, quando o António estava com todos os cuidados a preparar  fruta para o pequeno almoço e se lembrou  duma paciente que, percebeu que o casamento dela tinha acabado no dia em que olhou para o tabuleiro de pequeno almoço com a fruta impecavelmente laminada pelo marido e lhe apeteceu virar tudo pois já não havia conteúdo, só  a forma… ou o que a Joana contava há pouco, sobre um antigo aluno dela que atravessou a rua para a cumprimentar e dizer o quanto ela tinha sido importante, enquanto professora, no percurso de vida dele. Em que acabaram a tomar um café, a falar da vida e das coisas… Eu fico fascinada com isso… não sei quem são estas pessoas, mas sinto que elas, através das suas histórias e dos seus percursos, de algum modo ficam a fazer parte da vossa história e até da minha… assim como se fossem viagens, em que descobrimos e vivemos coisas que nos acrescentam, nos influenciam, nos interferem… Sinto que vocês ficam a fazer parte da vida delas mas que o contrário também… Como se fossem viagens através de pessoas… Percebem o que quero dizer?…
… Sim. Foi mesmo um encontro feliz.

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