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“Entusiasma-me a proximidade às pessoas e o conseguir resolver as situações”

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Iniciou no atual mandato a sua vida autárquica como presidente da Junta de Freguesia de Carvalhal Benfeito. O que a levou a concorrer à Assembleia de Freguesia?
Eu sempre pertenci a órgãos sociais de associações e estive envolvida na comunidade, mas não sou política nem nunca estive ligada a um partido político. Já tinha participado em movimentos e, desta vez, o então [e atual] presidente da Câmara, Vítor Marques, entrou em contacto comigo, por variadíssimas vezes, para encabeçar a lista, e eu sempre disse que não… até dois dias antes de ter de entregar as listas…
Decidimos avançar num ato de haver mais participação na Assembleia de Freguesia, pois não havia mais nenhuma lista [alternativa à da AD – Somos Caldas], e acabámos por ganhar.

É a sua primeira experiência autárquica?
É a minha primeira experiência autárquica e foi um ano muito desafiante, mas acho que temos sabido dar a volta e superar as dificuldades. Foi duro porque nós somos uma freguesia pequena em termos de condições, ferramentas e funcionários, mas grande em área geográfica, muito dispersa e com uma orografia muito específica. Quem está na cidade não tem noção do que é necessário fazer numa freguesia rural.
Houve alturas que pensei em desistir, porque a tempestade Kristin afetou-nos substancialmente. Na altura nem um assistente operacional na rua tínhamos, portanto tive que contar com a boa vontade da população.

Quais são as principais dificuldades de um presidente de Junta, neste caso de uma freguesia do interior do concelho?
Principalmente a falta de recursos, tanto financeiros como operacionais, porque todos os dias é necessário ajudar alguém, seja porque um caminho agrícola está estragado ou qualquer outro problema.
Acho que às freguesias rurais faz falta mais autonomia em termos financeiros, de recursos e de equipamentos, porque sem máquinas e sem mão de obra nós não conseguimos fazer nada. Temos que dar acessibilidade às pessoas, resolver em tempo útil e não temos como, pois a Câmara não tem capacidade de estar em tempo útil a responder às nossas necessidades, são 12 freguesias.
Acho que há a necessidade de cada vez mais se capacitar as juntas para terem capacidade de resposta.

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E isso é possível fazer-se?
Eu acho que sim porque todos sabemos que atualmente as juntas são basicamente delegações do Município. Precisam de ter competências próprias para poderem tomar as decisões que são necessárias, pela importância que elas têm, de serem um poder de proximidade.
É preciso quem está acima perceber que não temos que andar sempre nestes circuitos, em que muitas vezes perdemos tempo, perdemos recursos e, essencialmente, para quem chega e não conhece os meandros, é difícil. Nós estamos num país em que sofremos de “partidarite” e para quem, como eu, vem de fora, independente, não é fácil, porque existem muitos “lobbyzinhos”.

E sentiu discriminação por ser mulher?
Vou dar um exemplo simples. Havia um partido que me queria convidar, mas fui logo posta de parte porque sou mãe, tenho 3 filhos, e não teria tempo e capacidade para assumir as funções. Nós estamos num país em que a mulher, em muitos casos, ainda está lá para fazer número. Mas elas devem ter a capacidade de chegar, bater o pé e dizer, não, eu estou aqui por direito, pelo meu mérito e eu tenho tanto direito como tu.

E como é que isso se muda, sobretudo ao nível das freguesias? Está num cargo diretivo na ANAFRE, pode contribuir para isso?
Eu quero, sinceramente. Atualmente sou vogal da ANAFRE e, no início do próximo ano, passarei a vice-presidente. Sei que as responsabilidades são diferentes, mas tenho essa ambição de querer mostrar que as mulheres podem estar em qualquer lugar. Entre mulher e homem não tem que haver igualdade, tem que haver equidade de opções, de hipóteses e temos que ser respeitadas.
Em 50 anos de poder local quem esteve quase sempre no poder, homens ou mulheres? Façamos esse exercício para perceber se valeu a pena nestas cinco décadas pôr à margem as pessoas por questões de elitismo ou género.
Independentemente seja homem ou mulher, tem os seus direitos e competências e tem que ser respeitado por tal. E quem está acima é que tem que dar o exemplo. O conselho diretivo da ANAFRE, composto por 21 elementos, tem cinco mulheres, todas elas extremamente competentes. Acho que estão reunidas as condições para se poder mudar alguma coisa neste sentido. Também o atual presidente, Francisco Branco Brito, tem uma postura de maior abertura, construtiva e de agregação.

No início do próximo ano a ANAFRE vai reunir nas Caldas. O que se pode esperar desse encontro?
O Conselho Geral da ANAFRE vai reunir, nos dias 22, 23 e 24 de janeiro, nas Caldas. Como autarca acho que é muito importante este tipo de encontros porque permite a troca de experiências. Esperamos cerca de 1500 pessoas de todo o país, o que será ótimo para a nossa hotelaria, para a restauração, para a divulgação do concelho.
Estes encontros servem, essencialmente, para o crescimento, a mudança, o debater de ideias e isso faz-nos sempre evoluir. Naquela altura pode não acontecer, mas a semente fica lá. Por exemplo, são apresentadas as moções que por vezes ficam em stand-by, mas eu tenho esperança que muitas delas sejam reativadas e que, no futuro, toda aquela informação vai ser usada e será uma mais-valia para toda a gente.

Como é a realidade a nível local, os presidentes de Junta entreajudam-se?
Eu tenho uma boa relação com todos os presidentes de Junta, tenho alguns que, é claro, são mais próximos. Acho que precisávamos era de ter mais tempo para estar em conjunto e poder partilhar as situações. Inclusivamente já falei com o Presidente da Câmara para tentarmos reunir os presidentes de junta, por causa da questão da ANAFRE, e começar a fazer alguns encontros informais para perceber a dinâmica e as necessidades do concelho, para depois também as conseguirmos fazer chegar à ANAFRE.
Mas assumo que não tem sido fácil, porque muitos de nós somos novos no cargo e ainda estamos a tentar arrumar a casa.

Está há um ano na vida política ativa. Vê-se a continuar?
Não sei se continuo. Não é da política que gosto mais, mas entusiasma-me a proximidade às pessoas e o conseguir resolver as situações. E, por isso, reitero a necessidade das juntas terem mais autonomia para conseguirem as competências e independência.

Há algum grande objetivo que tenha para a freguesia?
O meu grande objetivo era tornar a freguesia mais apelativa e mais dinâmica, com crianças, que consiga atrair pessoas e agregar mais valia.

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