Opinião Poder Local – Alcobaça

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Valter Rodrigues
Coord. do Núcleo Territ. da IL Alcobaça

As escolas começaram e, em Alcobaça, há duas com obras já em pleno ano letivo: a EB 2,3 de Pataias e o Centro Escolar da Benedita. A vereadora da Educação garantiu que “não vai haver alteração nenhuma” ao calendário. Mais uma vez, foi preciso esperar pelo arranque das aulas para avançar com as intervenções.
É neste contexto que ressalta a ausência de uma aposta estratégica diversificada no ensino superior. Alcobaça perdeu uma oportunidade histórica. Com a não concretização do polo do IPL em Torres Vedras, ficaram três TESP (Alimentação Saudável, Estética e Secretariado Clínico) e duas licenciaturas certificadas sem destino. E Alcobaça não esteve na mesa.
O distanciamento do município é público. O Reitor da ULO, Carlos Rabadão, confirmou: “Sentimos falta de envolvimento do Município de Alcobaça”. O Presidente Hermínio Rodrigues assumiu manter distância do IPL, apostando na Universidade de Coimbra.
Alcobaça tem, de facto, ligação a Coimbra através do CESUCA. Mas apostar numa única universidade é insuficiente. A ULO sucedeu ao IPL. O concelho tem o CESUCA, TeSPs, o INIAV e a EPADRC. Reúne todas as condições para acolher mais formação superior e fixar jovens.
O Reitor garantiu que “é só uma questão de tempo” para trabalharem juntos. Mas o tempo não espera por quem não se posiciona. A janela fechou-se. E com ela, parte do futuro deste concelho.
Não se trata apenas de um polo. Trata-se de uma visão. O ensino superior é essencial para o desenvolvimento de Alcobaça. Enquanto outras autarquias do Oeste se movimentam, Alcobaça assiste, à distância.
É tempo de mudar de estratégia. De diversificar parcerias. De assumir responsabilidades e agir. Porque o futuro não se constrói com declarações. Constrói-se com decisões.

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