Opinião Poder Local – Caldas da Rainha

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Aan Gomes Branco
Membro da Comissão Coordenadora Concelhia do BE

Uma mina em Serra d’el Rei pode parecer um problema de um concelho limítrofe. Mas quando estão em causa recursos naturais e qualidade de vida, as fronteiras deixam de existir. O território regional está em perigo – e cabe-nos fazer a nossa parte para o proteger.
A Concessão Mineira C-185, “Royal China Clay”, foi atribuída pelo Estado em 2023 e prevê 51 hectares de exploração efetiva, a céu aberto, cerca de 569 mil toneladas anuais de materiais e uma duração 20 anos.
As câmaras de Óbidos, Peniche e Bombarral já rejeitaram ao projeto, assim como a Comunidade Intermunicipal do Oeste. Em causa estão o consumo e contaminação da água, a degradação dos solos, a perda de flora e habitats e a poluição atmosférica.
Há ainda o impacto da circulação de veículos pesados, ruído, vibrações e poeiras que poderão chegar ao nosso concelho. A exposição prolongada a poeiras do caulino pode causar caulinose, uma doença pulmonar.
E perguntamos: quem beneficia? Não são os habitantes do Oeste, cuja qualidade de vida pode ser afetada, nem sabemos que benefícios económicos ficarão no território. Continuamos sem respostas sobre empregabilidade, contrapartidas sociais e recuperação ambiental.
O problema não é a mina em si, mas sim o facto de aceitarmos que uma empresa pode explorar durante 20 anos um recurso natural, enquanto que as consequências ambientais e os seus custos ficam para o território.
O Oeste não pode estar à venda, muito menos a interesses que não servem quem cá vive, trabalha, estuda.

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