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AM das Caldas aprova reposição da freguesia de Salir do Porto

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O processo de desagregação foi iniciado em inícios do ano passado pela Associação Amigos de Salir do Porto

Foi aprovada por unanimidade, e aclamação, dos deputados da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, a proposta de desagregação da União das Freguesias de Tornada e Salir do Porto para a reposição da freguesia autónoma de Salir do Porto.
O processo de desagregação, que agora segue para deliberação na Assembleia da República, foi iniciado pela Associação Amigos de Salir do Porto (AASP) em janeiro do ano passado, juntamente com a entrega de 344 assinaturas a corroborar esse objetivo. Com esta iniciativa, o movimento cívico que teve a sua génese para a elevação da povoação de Salir do Porto à categoria de vila, pretendia “corrigir um erro crasso de gestão do ordenamento do território”, explicou na altura.
Após a votação, na noite de 29 de setembro, Abílio Luís, antigo presidente da Junta de Freguesia de Salir do Porto e atualmente elemento da AASP fez uma intervenção onde destacou a “grandeza do momento” em que a Assembleia, por unanimidade e aclamação, aprovou a desagregação da freguesia de Salir do Porto da União de Freguesias que a une a Tornada, desde 2013, no âmbito da reorganização administrativa nacional. O antigo autarca lembrou que foram “empurrados” para uma agregação de freguesias que nunca pediram e que “nunca fez sentido”, realçando tratar-se de uma decisão política, que se esqueceu das realidades geográficas e culturais locais. “Cada freguesia tem a sua própria identidade. Esta agregação, forçada, de comunidades distintas, gerou, em vários casos, um sentimento de perda de representação e de distanciamento do poder local”, reiterou, dando nota que o objetivo inicial, de poupança de recursos e ganhos de escala, não aconteceu na maioria dos casos.
Abílio Luís deu nota da história “rica, secular e profunda” daquela terra e destacou o trabalho da Associação de Amigos de Salir do Porto que, além deste objetivo, também já alcançou outro, há dois anos, aquando da elevação a vila.
Antes da votação, também outro elemento da mesma associação, a bióloga e residente em Salir do Porto há mais de 30 anos, Jesus Fernandes lembrou que se trata de um desejo manifestado pelos salirenses e que a desagregação virá “repor a história e a vontade desta população”, parte dela presente na Assembleia Municipal.
Jesus Fernandes alertou ainda para a pressão urbanística que a localidade está a sofrer desde que entrou em vigor o Plano de Urbanização. Verifica-se uma “densidade urbanística muito elevada, com construções destinadas quase exclusivamente a segunda habitação ou turismo, com uma descaracterização clara daquilo que é a estrutura arquitetónica e urbanística da vila, com áreas novas de construção que emergem em vários locais em simultâneo, com impactos sobre as estradas, os vias de comunicação, com ruas fechadas, esburacadas, pressão sobre as infraestruturas”, explicou. A residente em Salir do Porto defendeu que é preciso ter a coragem de “repensar os modelos de ordenamento e os planos de urbanização” e deixou um apelo aos deputados municipais para que o façam agora que o PDM caldense entrou em consulta pública.
Embora “fã” das uniões de freguesia, “e da união de municípios, que ainda não existe”, o presidente da Câmara, Vítor Marques, disse ser “fã de democracia” e que respeita a vontade do povo. “E se o povo quer realmente essa posição, é a voz que deve ser respeitada”, disse o antigo presidente da União de Freguesias de Nossa Sra do Pópulo, Coto e S. Gregório.
Em relação ao PDM, Vítor Marques salientou que este não tem grande influência naquela localidade, que possui um Plano de Pormenor.
No concelho das Caldas também no Coto já existe um movimento que pretende desagregar a freguesia do Coto da União de Freguesias de Nossa Sra do Pópulo, Coto e S. Gregório.

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