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Bombarral recordou com historiadores a Primeira República

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A tertúlia, organizada pela ADPCCB, juntou Nuno Ferreira, Fernando Rosas e D. Manuel Clemente

Uma série de equívocos e uma fita do tempo distorcida contribuiu, com o passar dos anos, para que o Bombarral ficasse conhecido a nível nacional como uma terra anticlerical no período da implantação da Primeira República, cujos excessos levaram a deitar fogo à igreja matriz, que outrora existiu onde hoje está o Hotel Comendador. A tertúlia organizada pela Associação de Defesa do Património Cultural do Concelho do Bombarral, no passado dia 26 de setembro, permitiu desmistificar uma ideia que ainda hoje perdura no tempo. Para a sessão, que decorreu no Teatro Eduardo Brazão, foram convidados os historiadores Fernando Rosas e D. Manuel Clemente, que contextualizaram este período histórico, de um país pobre e com graves problemas sociais, que levou ao fim da monarquia, 32 meses após o Regicídio que envolveu a morte do Rei D. Carlos I e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, assassinados a tiro em plena praça do Terreiro do Paço, em Lisboa. O historiador local Nuno Taborda Ferreira, da ADPCCB, pormenorizou o que aconteceu naquele período na povoação bombarralense. A igreja local foi incendiada quando já estava ‘fora de serviço’ e funcionava como depósito de palha. O templo estava inativo desde 1914 por morte do pároco e, a 14 de maio de 1915, os republicanos decidiram vandalizar a igreja, tendo os arquivos paroquiais sido salvos à última hora pelo amanuense da Câmara Municipal, Franklim Nunes. Foi a 11 de novembro de 1918, oito anos depois da implantação da República, que ocorreu o incêndio de má memória e que terá sido causado por uma criança, numa pequena vingança contra os colegas por não o deixarem subir à torre. O Bombarral só voltou a ter pároco em 1941 com a chegada do Pe. Fernando Diogo.
Foi também inaugurada uma exposição composta por 12 painéis que contextualizam o Bombarral no período que antecedeu a implantação da República e o período conturbado que se seguiu nesta povoação marcadamente republicana. Através da reprodução de documentos e fotografias históricas, permite dar a conhecer como foi o Bombarral na Primeira República, a importância que o caminho-de-ferro teve no crescimento da então pequena aldeia agrícola e como se viveu esse período revolucionário. Nomes de personagens e factos ajudam a perceber este riquíssimo período histórico que contribuiu, em 1914, para a criação do concelho, separando-se finalmente de Óbidos, gorada que foi a tentativa de transferir a sede do concelho da vila medieval para o Bombarral. Isso mesmo atesta um telegrama de 11 de outubro de 1910, onde o presidente das Comissões Paroquiais Republicanas de Óbidos, João Coelho Monteiro, apresenta o pedido ao ministro do Interior. Segundo Nuno Ferreira Taborda, só a intervenção dos republicanos das Caldas da Rainha fez gorar este intento. Destaca-se ainda neste período o papel importante que foi desenvolvido pelo Centro Escolar Republicano João Chagas. Os restantes painéis evocam a efetivação municipal, as associações e equipamentos desse tempo, a imprensa periódica da terra – muito ativa – e espaços públicos, bem como monumentos arquitetónicos, as novas casas ilustres que foram sendo construídas, a par das atividades económicas e de vários retratos da sociedade bombarralense da época.

Encontra-se patente uma exposição composta por 12 painéis sobre a temática
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