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Continuação – 2012 será pior se… não conseguirmos fazer melhor!

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Os portugueses, como os gregos, os espanhóis, os italianos, os irlandeses,  e dentro de algum tempo também os belgas, os franceses, etc., são uns sacripantas (o mesmo que “velhacos, patifes, capazes de todas as violências e indignidades; pessoas desprezíveis”), que não souberam merecer todos os apoios que vieram de Bruxelas, concedidos por esses excelsos funcionários “europeus” sem mácula e que durante bastantes anos despejaram na terra árida das pátrias milhões de euros (antes denominados “ecus”).

Felizmente que a “peste” financeira que atingiu essa “escumalha” dos PIIGS (título pejorativo que significa “porcos” que denomina na gíria Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), também não está a poupar os sacrossantos do capitalismo internacional, começando pelos Estados Unidos (onde os primeiros sinais tiveram origem), passando pelo Japão, e não esquecendo o Reino Unido, a França e certamente que chegará também à Alemanha. Esta não vai poder continuar a vender a alguns Piigs os seus submarinos com luvas à mistura e depois fazer exigências sem fim.
Esta reflexão não visa desculpabilizar as vítimas da actual situação, pois estas – que somos nós – são também responsáveis de muitas das decisões erradas que foram tomadas e que muitas vezes foram assumidas pela maioria com vã glória.
Recordemo-nos quantos investimentos fomos “levados” a fazer, para assegurar o “consumo” das verbas europeias, em obras quantas vezes ao arrepio das prioridades locais, apenas para seguir “modelos de desenvolvimento” preferidos em outras paragens, do que se podia chamar o “europês política e economicamente correcto”.
Basta olhar um pouco ao nosso redor e ver como fomos conduzidos a construir um “palácio” dos congressos e da cultura, com um investimento de mais de 17 milhões de euros, deixando a cair ao seu lado um património relevante de mais de um século que normalmente deveria ser um eixo prioritário de acção política cultural. Mas este é apenas um pequeno exemplo, que, por alguma valia técnica que tenha em termos de construção, é uma nulidade em termos arquitectónicos, até pelo que resulta face à atracção de visitantes e à utilização quotidiana que tem.
Em relação a muitos destes erros que cometemos, mas que também outros têm responsabilidades, pela forma como nos “obrigaram” a consumir, quantas vezes à pressa e sem tino, esses famigerados fundos europeus, vamos ficar-nos por aqui, porque senão a nossa angústia aumentaria.
Seria bom que neste ano de 2012 em que as facturas vão começar a cair duramente nas nossas carteiras, fizéssemos finalmente algum trabalho de casa e reflectíssemos sobre aquilo que temos e que pode ser uma mais valia endógena e com valor para colocar externamente e captar recursos tão necessários a equilibrar as contas.
Muitas das coisas boas que temos e que, quer queiramos ou não, felizmente vamos continuar a ter, e que também felizmente, os mundocratas e eurocratas não nos conseguirão tirar, deviam ser valorizadas internamente e promovidas  externamente com inteligência.
Inserimos nesta edição uma entrevista singela de uma professora finlandesa que nos mostra, de uma forma simples, alguns dos potenciais que dispomos e que podem ser mais valorizados, sem grandes alardes, apenas devendo ser conservados e preservados de forma natural.
Este exemplo pode ser multiplicado infinitamente, não para vender ilusões de  um país que não existe, mas para mostrar realidades que existem e que são reconhecidas internacionalmente como boas e genuínas para um turismo de qualidade e sustentável, que ultrapassa o visitante de low cost (que também é necessário mas que não basta) e de toca e foge (ou seja aquele que dá a volta aos principais pontos turísticos do país em poucos dias).
O mês que agora termina é um exemplo de uma mais valia de valor incalculável que podia captar para o nosso país e região, um número imenso de pessoas que desejassem passar esta época do ano com melhor qualidade de vida e bem estar.
Comparar os planos de contingência trágico-cómicos das autoridades britânicas para a evacuação dos seus residentes no nosso país face a uma eventual derrocada do Euro e a forma jovial e alegre com os seus residentes no Algarve comemoram com banhos de mar o Dia de Natal e que a televisão transmitiu, mostra bem o cinismo dominante na política internacional e na governança dos povos.
Mas importa também que as autoridades nacionais inovem no discurso e rompam com o livre curso das medidas que têm como único e exclusivo objectivo cortar sem qualquer estratégia de médio prazo. Não defendemos que se gaste sem limite e sem avaliação de resultados, mas também, como defende um antigo ministro do Emprego de Clinton – Robert Reich – que “maior consumo de educação, recriação pública e artes também tornariam, presumivelmente, a vida quotidiana mais útil e agradável para mais pessoas, sem aumentar de todo o consumo material” (“After-Shock – A Economia que se segue e o futuro da América”, 2010).
As receitas que a Sra. Merckel e seus acólitos nos estão a impor vão ser duramente julgadas daqui a uns anos pelos malefícios que provocaram a nós e aos próprios alemães, interrogando-se na altura porque tão poucos disseram que o “rei vai nu”. Os franceses vão ser, provavelmente, os primeiros a pagar a idolatria do seu actual Presidente pela chanceler alemã, caminhando alegremente para a taxa de desemprego dos 10%.
Pena que a Comissão Europeia, perdendo o brilho que já teve nos tempos de Delors, tenha sido transformada numa mera direcção geral que despacha alguns detalhes da política europeia e não consiga ter a visão (que teve nesses tempos já esquecidos) em que lançava verdadeiros desafios para o que hoje é uma comunidade de 500 milhões de seres que chegaram a acreditar num projecto comum solidário.
Esperemos que 2012 nos traga o início das mudanças e seria uma boa notícia que tal começasse em França já no próximo mês de Abril.

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