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Guineenses na diáspora discutiram o futuro do país em encontro nas Caldas

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O embaixador da Guiné Bissau em Portugal, Artur Silva, marcou presença no evento que decorreu na Expoeste

Atualmente vivem e trabalham nas Caldas mais de um milhar de guineenses, estima o presidente da presidente da Confederação PDG-Plataforma das Associações Guineenses na Diáspora, Augusto Mansoa, que reside nas Caldas desde finais de 1987, altura em que começou a trabalhar como médico no hospital. E, trata-se de uma estimativa porque não existem dados oficiais de todos os cidadãos naturais da Guiné Bissau, que trabalham fundamentalmente na agricultura (apanha da fruta e hortifruticultura), mas também na construção civil, serviços domésticos e hotelaria da região.
Esta comunidade “enorme” que se estabeleceu nas Caldas, “vinda sobretudo da grande Lisboa para tentar encontrar melhores condições de vida, mais estabilidade”, e o facto do atual Presidente da República residir na cidade, levou a Plataforma a organizar o encontro comemorativo do 53º aniversário da independência da Guiné nas Caldas da Rainha. Foi a primeira vez que o evento se realizou fora da capital, contando com a presença de diversas associações de guineenses e uma mostra cultural e artística daquele país.
No encontro, que juntou mais de 100 pessoas na Expoeste, representantes das várias associações de guineenses e convidados debateram a importância da independência e os seus desafios. “E são muitos”, realçou Augusto Mansoa, elencando desde logo a necessidade de estabilidade, sobretudo, política e social. “A falta de estabilidade política condiciona tudo o resto em termos de desenvolvimento social, económico e por aí fora…”, exemplificando que os recursos do país não estão a ser explorados como deviam ser.
Augusto Mansoa realça que a organização é apartidária e tem um cariz puramente social. “É formada por pessoas que estão fora, mas que querem contribuir para o desenvolvimento do país”, disse o médico que, com um grupo de colegas, desloca-se periodicamente à Guiné Bissau para dar consultas à população, em regime de voluntariado. O guineense considera que esta ajuda é apenas “uma gota de água no oceano” e que são precisas medidas estruturais para ajudar a alavancar o país.
Para Artur Silva, embaixador da Guiné Bissau em Portugal, a celebração da independência da Guiné em terras portuguesas “reveste-se de um simbolismo particular”, pela história e língua, mas também por aqui encontrar “um espaço privilegiado de diálogo, cooperação e de amizade”. A comemoração acontece num contexto particularmente relevante da vida social daquele país, menos de um ano depois de um golpe de Estado no qual os militares tomaram o poder. Já a 30 de agosto, os eleitores da Guiné-Bissau aprovaram, em referendo, a alteração constitucional que dará mais poderes ao Presidente da República. “Este percurso prepara o caminho para outra etapa decisiva na nossa vida democrática, as eleições legislativas presidenciais marcadas para 6 de dezembro”, referiu o embaixador, que espera que o processo eleitoral decorra num clima de paz e civismo. Pediu “responsabilidade coletiva” para colocar o interesse superior da nação acima de qualquer atividade partidária e destacou que a Guiné Bissau não pode continuar refém das suas próprias divisões internas, mas “deve ocupar o lugar que lhe compete na comunidade internacional”, destacando a sua riqueza económica e cultural. Artur Silva defendeu uma aposta na educação, formação profissional, inovação e empreendedorismo, realçando que é preciso criar condições para que os jovens possam estudar, trabalhar, empreender e participar ativamente na construção do país.
Também presente na cerimónia, a vereadora Conceição Henriques começou por partilhar que a relação de Portugal com a Guiné-Bissau tem mais ou menos o mesmo tempo da existência das Caldas da Rainha, cinco séculos, e manifestou a sua “emoção” por participar numa sessão que celebra os 53 anos de autonomia de um povo. Dirigindo-se à comunidade guineense que reside nas Caldas deixou o desejo para que “seja feliz” e, sobretudo, possa estar “bem integrada”.

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