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Médicos do Oeste refletem sobre saúde na próxima década

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As médicas Ana Gomes e Joana Louro moderaram a sessão pública, que contou com a participação do presidente do conselho da sub-região Oeste da Ordem dos Médicos, António Curado, e do bastonário, Carlos Cortes

A preocupação com o estado atual dos cuidados de saúde e a premissa de que esta é um eixo primordial no desenvolvimento do Oeste, 95 médicos juntaram-se, em fevereiro em Óbidos, para refletir sobre os cuidados de saúde para os próximos 10 anos na região. As conclusões foram apresentadas numa sessão pública organizada pela sub-região do Oeste da Ordem dos Médicos e que juntou cerca de uma centena de pessoas no CCC, no passado dia 22 de setembro.
“A necessidade de um novo hospital público para o Oeste é de grande consensualidade”, começou por afirmar o presidente do conselho da sub-região Oeste da Ordem dos Médicos, António Curado. Estimando um prazo de 7 a 10 anos para a sua entrada em funcionamento, o responsável chamou a atenção para a necessidade de investimento nas atuais estruturas e na organização dos cuidados de saúde neste espaço de tempo.
Os médicos justificam a construção de um único hospital público para toda a região com critérios “de racionalidade para as populações, para o Estado, para a saúde no seu conjunto”. Considerando que os hospitais são estruturas muito complexas e “pesadas”, apenas com uma estrutura haverá “ganhos de escala, de eficiência, maior massa crítica e maior capacidade de atração de profissionais”, levando a uma “maior qualidade de oferta e maior diferenciação”. Também permitirá uma maior capacidade de internamento, disse António Curado, dando conta que atualmente, no Oeste, o rácio de número de camas de internamento por mil habitantes andará à volta de 1,1 por mil habitantes, um valor inferior a por exemplo, à zona de Loures, que é de 1,6 por mil habitantes, e em Leiria é de 1,5 por mil habitantes.
Mas, para os médicos, o “novo hospital não pode ser apenas um edifício”, terá de reunir equipas, tecnologia e diferenciação clínica, reforçar a urgência, a cirurgia, os cuidados intensivos, a saúde materno-infantil e a saúde mental. Também apostar na formação, investigação e inovação, concretizou António Curado.
Ao nível dos cuidados de saúde primários, para além da necessidade atração de mais profissionais, os médicos concluem que estes devem ser a “porta de entrada para o sistema” hospitalar, e não através de uma linha telefónica.
As entidades privadas, os hospitais e as clínicas da região “podem e devem complementar a oferta, reduzir constrangimentos, mas não terão a capacidade para substituir ou matar as deficiências estruturais públicas”, concluem.
Estava previsto participarem na sessão representantes da administração da ULS Oeste e da OesteCIM, mas não compareceram.

A falta de cuidados intensivos
Presente na sessão, Vítor Dinis, da Comissão de Utentes do Oeste, denunciou a falta de uma Unidade de Cuidados Intensivos na região e mostrou a sua preocupação com o número de médicos “tarefeiros”, que recebem mais do que os contratados, levando à falta de profissionais afetos aos hospitais públicos. António Curado considera que é “incompreensível” como existe toda uma região sem camas de cuidados intensivos. “É uma falta enorme em termos da capacidade da resposta a patologias mais diferenciadas” e também é um entrave à atração de profissionais, nomeadamente na área da anestesiologia.
De acordo com a médica Joana Louro (que moderou a sessão com Ana Gomes), apesar da necessidade de cuidados intensivos na região, “não é por estes não existirem que as pessoas não têm acesso aos cuidados intensivos na mesma”, sendo encaminhadas para outras unidades.
O bastonário da Ordem dos Médicos não conhece nenhum outro hospital no país que não tenha serviço de medicina intensiva, realçando o impacto sobre os doentes, mas também sobre os profissionais de saúde. Referiu que Ordem irá colocar “alguma pressão” sobre o Ministério da Saúde para “muito rapidamente se poder desenvolver aqui um serviço de medicina intensiva”, mas alertou para a necessidade de haver profissionais de saúde para garantir o serviço.
Em relação aos prestadores de serviço, Carlos Cortes lembrou que foi com eles que muitos hospitais conseguiram e conseguem dar resposta no serviço de urgência. No entanto, considera que o SNS “não pode ter dois modelos de contratação com os médicos”.
Enquanto que Eduardo Dias entende que deve haver um único hospital para o Oeste, localizado nas Caldas da Rainha, Fernando Costa, presidente da Assembleia Municipal, voltou a defender a existência de dois hospitais, um a norte e outro a sul. Numa intervenção mais combativa, Fernando Costa questionou diretamente o bastonário sobre a defesa de um único equipamento para uma região que é maior do que outras zonas onde existem vários hospitais e que perspetiva um “crescimento exponencial nos próximos anos”.
Carlos Cortes não entrou na discussão sobre o número de hospitais, afirmando tratar-se de uma posição política e defendendo antes o acesso a cuidados de saúde de qualidade e em segurança.
O documento agora apresentado publicamente, e editado em livro, será agora enviado ao ministério da Saúde, OesteCIM, ao Consultor para a Saúde da Presidência da República e à Assembleia da República.

Cerca de uma centena de pessoas assistiram ao evento, que decorreu no CCC

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