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Montepio lança futuro com crescimento do projeto do Centro Clínico

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Imagem 3D do projeto do Centro Clínico & Living Lab do Montepio RDL

O projeto do Centro Clínico & Living Lab que o Montepio Rainha D. Leonor pretende construir no edifício da antiga EDP na entrada Sul da cidade foi alterado, tendo crescido. Tal implica uma revisão do investimento, que se estimava nos 7 milhões de euros, mas também um novo adiamento da última data prevista de abertura, que apontava aos finais de 2027, para o ano seguinte.
“Vamos criar mais do que um edifício destinado a consultas e exames” e “construir uma verdadeira casa da longevidade mutualista, com uma resposta que ainda não existe nas Caldas da Rainha e na região”, afirmou à Gazeta das Caldas o presidente do Conselho de Administração, Paulo Ribeiro.
Essa evolução é espelhada no crescimento “de nove para mais de 24 gabinetes de consulta e de uma para duas salas de Atendimento Permanente”, revelou, contando que estará equipado com “um bloco operatório com recobro e uma área de Medicina Física e de Reabilitação quase três vezes maior”, naquilo que considera “uma mudança muito significativa e há muito necessária para o Montepio”.
Nesta fase, estão “a concluir a validação independente do modelo económico-financeiro e a trabalhar com parceiros financeiros de primeira linha”, acrescentou.
O mesmo responsável explicou ainda que estão “a melhorar o projeto, o que tornou necessário um novo licenciamento, processo que estamos a finalizar com a equipa responsável”. Segundo Paulo Ribeiro “o processo está a avançar com rapidez, mas também com a preparação, a estabilidade e o rigor que um investimento desta dimensão exige”.
Em relação aos custos estimados, “o investimento acompanhou esse crescimento” e “a evolução dos custos da construção e dos equipamentos também exige uma atualização rigorosa do orçamento antes de confirmarmos o valor final”, pelo que “esse montante está a ser validado por uma consultora independente de referência”. Já “o prazo da obra será definido com o projeto de execução”, mas garante que vão “construir com rapidez e qualidade, porque os nossos associados já esperaram o suficiente”.
Em relação ao modelo de negócio, garante que “o património, a identidade e a relação com os associados, que são o nosso principal ativo, permanecem na instituição”, esclarecendo que, “na operação clínica, trabalhamos com parceiros especializados em cada área, procurando assegurar a melhor resposta possível aos nossos associados”, sendo o princípio “conciliar a missão mutualista com a sustentabilidade económica, permitindo-nos crescer com segurança e rigor, sem perder o compromisso social”.
O Montepio tem já acordos estabelecidos com a Affidea nas áreas da imagiologia e das análises clínicas, com a Gestos Coesos na fisioterapia, além da equipa de Gastrenterologia e da Clínica Dentária e, revela, “existem ainda outras parcerias em negociação”.

10 anos depois
Recorde-se que foi há já dez anos que começaram as negociações com a EDP para a compra do imóvel, acordada no ano seguinte, por 1,5 milhões de euros. Apontava-se, então, a uma possível abertura em 2020. Em 2019, ano em que se concretizou a compra, apontava-se a um custo estimado de obras de 3,6 milhões de euros.
Em 2020 a instituição foi a eleições e uma das listas, que perdeu as eleições, apresentava um acordo com um parceiro privado, nomeadamente, o grupo Sanfil, para avançar para o novo hospital numa obra de 6 milhões de euros. Este foi, aliás, um dos temas fraturantes entre as duas candidaturas que foram a votos, numa eleição da qual saiu vencedora a lista encabeçada por Francisco Rita. Já em fevereiro de 2022 era apresentado um princípio de acordo com o Grupo Luz Saúde, com o objetivo de criar um novo edifício adjacente ao existente.
Em 2023, após o Montepio ver gorada a hipótese de ter fundos do Plano de Recuperação e Resiliência para esta obra, foi apresentado na Câmara um projeto com um investimento de 18,95 milhões de euros (9,35 milhões de euros para a reabilitação do edifício existente, 5,5 milhões de euros para a construção de um novo bloco, 3,7 milhões de euros para equipamentos e 400 mil euros para estudos e projetos).
A administração queria então começar a obra em 2024, com um prazo estimado de 20 meses, o que o poderia colocar em funcionamento em 2026.
Em fevereiro de 2024, após o projeto ser aprovado na Câmara e na Autoridade Regional de Saúde, o Montepio continuava a desenvolver contactos para criar uma parceria, uma ideia abandonada em novembro desse ano e que levou a nova reestruturação do projeto, abandonando a ideia da construção de um novo bloco e reduzindo os custos estimados dos 19 milhões de euros para um valor entre os cinco e os seis milhões.
Em março de 2025 estava em fase de conclusão esse projeto e, já em 2026, em março, previa-se o início das obras para este ano, com a abertura no final de 2027 ou já nos inícios de 2028.

De olhos postos no futuro
Em relação ao atual edifício da Casa de Saúde, ainda não está definida a sua utilização no futuro. Há ainda um projeto de novas residências assistidas e o “Avenal Vivo”, que “é um dos projetos mais importantes da história do Montepio”. O objetivo é criar habitação “com uma verdadeira dimensão mutualista” e, dessa forma, estender a todas as idades “a solução de proteção habitacional do Montepio”, que “já tem um papel importante junto dos seniores”. Este “é um projeto que pode renovar a própria missão da Associação”, dado que “na área da habitação, estamos a preparar um futuro onde os associados poderão contar com o Montepio em todas as fases da vida e não apenas na velhice”.
Outro projeto em curso prende-se com a abertura da USF Modelo C, de Óbidos, “a única para a qual entendíamos ter capacidade real de resposta” e para a qual concorreram. “O primeiro concurso foi anulado e aguardamos agora os resultados do segundo”, revelou.
Quanto à Unidade de Convalescença da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, “a situação está a ser estudada e avaliada financeiramente”, dado que “é conhecido o desfasamento entre os valores pagos pelo Estado e os custos reais desta resposta”.
O Montepio atravessou uma reorganização estrutural que era considerada fundamental para o equilíbrio da instituição, com menos 18 funcionários, 10 em 2025 e oito em 2026, mas também com o pagamento das indemnizações dos retroativos do CCT e o aumento do salário mínimo. Um processo que foi “muito exigente”, mas no qual fizeram “o que tinha de ser feito, procurando agir com responsabilidade e respeito pelas pessoas”, realça, acrescentando que o Montepio é “hoje uma instituição mais equilibrada, mais sólida e preparada para crescer”.

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