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Plano propõe 162 ações prioritárias para adaptação às alterações climáticas

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O plano foi apresentado por Sérgio Barroso, diretor do CEDRU

O Plano Municipal de Ação Climática, que estabelece a estratégia municipal até 2050 para responder às alterações climáticas, possui duas metas complementares: manter a neutralidade carbónica e preparar o concelho para mais calor, menos chuva, secas, cheias rápidas, incêndios e riscos costeiros. O documento, apresentado a 2 de outubro por Sérgio Barroso, diretor do CEDRU – Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, vai orientar o investimento municipal, o planeamento territorial, as prioridades das freguesias e ações com entidades locais de modo a mitigar os problemas e adaptar o concelho à nova realidade, até 2050.
Até ao final do século, prevê-se, nas Caldas da Rainha, um aumento da temperatura média, mais dias muito quentes e mais noites tropicais. Na cidade, o efeito de ilha de calor pode agravar o desconforto térmico entre 3 e 6°C nas áreas mais densas e menos ventiladas. A precipitação tenderá a diminuir e a concentrar-se mais em episódios intensos, o que aumenta simultaneamente o risco de seca e de cheias rápidas, resume.
O especialista contextualizou a importância do plano face à atual pressão demográfica, dando conta que o estrangulamento do mercado da habitação em Lisboa está a provocar um êxodo populacional para a região Oeste. No entanto, este acolhimento não se resolve apenas com habitação. “É indispensável oferecer qualidade de vida e qualidade ambiental nos nossos territórios”, defendeu. Referindo-se às vulnerabilidades territoriais, Sérgio Barroso, destacou o contraste geográfico entre a zona costeira e o interior do concelho, mais seco e quente. De acordo com o documento agora apresentado, há 8.628 hectares de floresta sensível a incêndios, com especial preocupação em Santa Catarina, Alvorninha e Vidais, e existem 16.124 hectares sensíveis à erosão hídrica do solo. Foram identificados 376 edifícios em zona de risco de incêndio, 392 vulneráveis a cheias e 2.976 localizados em áreas de instabilidade de vertentes.
No território caldense existem ainda 120 km de rede viária vulneráveis a incêndios, 43 km a cheias e 315 km a instabilidade de vertentes. A estas situações acrescem 72 km de cabos de alta tensão em áreas de risco de incêndio, 46 km em áreas de cheia e 142 km em áreas instáveis.
O diagnóstico mostra também que há 6.317 pessoas em áreas de risco de incêndio florestal e 3.505 pessoas em áreas sujeitas a cheias. Regista-se uma maior vulnerabilidade ao calor em áreas envelhecidas, com destaque para a freguesia dos Vidais.
O estudo realizado refere ainda que o setor dos transportes é o “maior problema climático do concelho”, representando mais de metade do consumo energético e cerca de 58% das emissões. De acordo com Sérgio Barroso, ainda que a autarquia tenha um consumo de energia residual (essencialmente na iluminação pública e edifícios), tem o “dever” de liderar pelo exemplo, nomeadamente na eletrificação da sua frota. “Os transportes são, no município, o setor crítico para caminharmos para uma neutralidade carbónica”, afirmou, embora reconhecendo que houve uma redução do consumo dos produtos petrolíferos no concelho.
E então o que fazer? Como prioridades estratégicas, o estudo aponta para a redução das emissões nos transportes através da mudança da forma como as pessoas e bens circulam no concelho, a par da eficiência energética através da diminuição dos custos e emissões em edifícios públicos, habitação e atividades económicas. Também há que proteger e reforçar os sumidouros naturais, defendendo a floresta, o solo, as zonas húmidas e áreas agrícolas como ativos climáticos; e, por outro lado, adaptar o território aos impactes já inevitáveis com infraestruturas e serviços para calor, seca, cheias e fogo.
É também assumida como prioridade estratégica o fortalecimento da bacia alimentar local através da produção e consumo local, reduzindo a dependência externa e a pegada carbónica. Ao todo, o plano propõe 25 medidas e 162 ações prioritárias concretas para a mitigação e adaptação climática nos próximos 25 anos.
O presidente da Câmara, Vítor Marques, sublinhou que o plano “não é um ponto de chegada, mas um instrumento dinâmico, que exige compromisso político, capacidade de execução e envolvimento coletivo”, apelando à participação ativa de todos para o seu sucesso.

A “Festa da Água”
A apresentação do plano decorreu durante a “Festa da Água”, inserida nas comemorações do Dia Mundial dos Rios (celebrado no último domingo de setembro) e do Dia Nacional da Água (1 de outubro), que marcam também o início do ano hidrológico.
As atividades começaram cedo, na manhã de sexta-feira, junto ao Rio da Cal, onde o coletivo “Guarda Rios” dinamizou um observatório dos rios, envolvendo alunos do ensino secundário e da Universidade Sénior, numa “abordagem sensorial e participativa à água e aos rios”, explicou Carla Santos, do Gabinete de Ambiente, Espaços Verdes e Paisagem Natural da autarquia caldense.
“Entre outras experiências, os participantes puderam construir um rio, em microescala, explorar elementos sonoros e participar numa leitura coletiva e numa degustação de diferentes tipos de águas”, exemplificou. Já no Centro de Artes decorreram duas oficinas, uma denominada “Terras de Água”, que explorou a relação identitária das Caldas entre a água, a natureza e o barro; e “Águas da Liberdade”, onde os participantes expressaram artisticamente as suas inquietações e redigiram manifestos sobre a poupança de água.

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