
Este agente principal começou a fazer parte desta equipa em 1997, cinco anos depois de ter entrado para a PSP. “A maior parte do meu tempo na polícia foi no âmbito da Escola Segura”, sublinhou. Muitos dos estudantes que conheceu ao longo dos anos são agora “médicos, advogados, arquitectos e carpinteiros”, entre outras profissões. “Ainda hoje me chamam, a brincar, chefe Henriques, embora o meu nome seja Henrique”, contou.
O programa Escola Segura teve início em 1992, fruto de um protocolo entre o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Educação.
Os 59 estabelecimentos de ensino abrangidos pelo programa (do pré-escolar ao ensino superior) beneficiam de uma vigilância reforçada e de uma relação directa com os agentes policiais responsáveis pelo seu policiamento, que se dedicam exclusivamente à vigilância e protecção da população escolar. No total são mais de 16 mil alunos abrangidos.
A PSP promove também acções de sensibilização e prevenção em várias áreas ligadas à segurança.
Para além do policiamento junto aos estabelecimento de ensino, os três agentes afectos ao programa fiscalizam os percursos feitos pelos estudantes e lidam directamente com as direcções das escolas.
Algumas vezes são chamados às escolas por causa de conflitos ou casos de pequenos furtos e acabam por conseguir resolver tudo, sem necessidade de tornar estes casos oficiais ou de trazer maiores consequências para os envolvidos. Os agentes só entram nos recintos escolares quando são solicitados e contam com o apoio dos colegas das outras unidades, quando é necessário.
A equipa da Escola Segura nas Caldas da Rainha é constituída ainda por Elisabete Rosa e Rui Santos. Na opinião de Henrique Ferreira, a caracterização personalizada dos veículos da Escola Segura faz com que haja uma melhor reacção por parte dos estudantes.
Na PSP de Alcobaça o programa Escola Segura conta com dois agentes, que dão apoio a 10 estabelecimentos de ensino e a quase três mil alunos. Em Peniche são dois agentes para 10 escolas e 3500 alunos. Na Nazaré estão afectos dois agentes para sete estabelecimentos e 1950 alunos.
O chefe Dário Magno, coordenador do Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (do qual faz parte a Escola Segura) da esquadra da PSP das Caldas da Rainha, referiu que o papel destes polícias é importante para dissuadir alguns “comportamentos desviantes”.
Para tal é importante estabelecer-se uma relação de proximidade com os estudantes.
Embora Henrique Ferreira sabe que nem todos os jovens que conheceu durante o tempo que fez o seu serviço junto às escolas tenham seguido uma vida normal. “Infelizmente alguns foram engrossar as fileiras dos estabelecimentos prisionais”, diz. Mas é com orgulho que refere alguns casos em que soube dar os conselhos certos no tempo certo. “Há indivíduos que actualmente são pais e estão integrados na sociedade, que em determinada altura alertei para os riscos das decisões que estavam a tomar para o seu futuro. Hoje vejo que muitos deles estão bem na vida e inseridos na sociedade”, adiantou.
Segundo Henrique Ferreira, as alterações no comportamento dos jovens ao longo dos anos têm reflectido as mudanças da própria sociedade. Um dos aspectos mais saudáveis tem sido uma convivência mais sã entre pais, alunos e polícias. Só que, por outro lado, aumentaram também os casos de jovens delinquentes que não têm respeito pelas autoridades, embora pessoalmente não tenha razões de queixa.
Pais e alunos sentem-se mais seguros
Durante a nossa conversa com a equipa da Escola Segura o pai de uma aluna do colégio Rainha D. Leonor aproximou-se para pedir algumas informações. Rui Gomes é pai de Ana Rita, que este ano veio para as Caldas estudar porque no Bombarral, onde moram, não existe o curso de Economia.
Ana Rita Gomes, de 15 anos, vem todos os dias de comboio para as Caldas e o pai quis saber qual o caminho que a polícia aconselha a fazer até ao colégio.
Os elementos da PSP deram alguns conselhos e mostraram-se disponíveis para mostrar o melhor caminho, mas salientaram que o melhor seria a utilização dos autocarros do Toma. Segundo Dário Magno, o circuito de transporte urbano é uma grande mais-valia para os estudantes das Caldas, que assim podem movimentar-se pela cidade com maior segurança.
Rui Gomes já tinha ouvido falar do programa Escola Segura e é com agrado que vê que os polícias cumprem o seu papel.
Os alunos com quem conversámos também manifestaram ter uma boa opinião sobre este programa. David Sousa, de 15 anos, salientou que a presença da polícia junto à escola pode prevenir que aconteçam algumas situações negativas. Tiago Neves, de 17 anos, também se sente mais seguro e acha que os agentes “são muito simpáticos”.
Conselhos da PSP para pais e alunos
– Evitem o uso de telemóveis topo de gama, gadgets de referência ou de marcas apelativas. Os vossos filhos podem e devem usá-los mas longe da escola e fora do período de aulas;
– As notas de valor facial mais elevado devem ficar nos bolsos dos pais. Prefira as notas de 5€ e moedas de 2€, 1€ e 0,50€, dividindo por vários bolsos e pastas escolares;
– Evite os percursos pedonais inóspitos, becos, atalhos e zonas de fraca luminosidade.
Devem percorrer sempre as artérias de mais movimento e zonas de grande volume de tráfego.
Aconselhamos os pais nesta primeira semana de aulas, a percorrerem com os filhos os trajectos pedonais e de transportes públicos que utilizarão, pois para além de ajudarem-nos a perceber quais as melhores opções, perceberão com detalhe os percursos que percorrerão ao longo do ano.










