Um jornal centenário que chega aos leitores de diferentes formas

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Seja no papel ou no digital, a Gazeta das Caldas mantém uma ligação próxima com a comunidade, atravessando gerações. No âmbito das comemorações do 101º aniversário, falámos com dois assinantes: um com mais de 50 anos de assinatura em papel e um com pouco mais de cinco meses de assinatura digital.
António Enxuto Santos, do Campo, tem 77 anos e é o assinante nº 2263 da Gazeta das Caldas. Há mais de 50 anos que é assinante do jornal que, conforme faz notar, se cruza com a História de todos. Já depois de iniciar a sua vida profissional, com apenas dez anos, na Rua Raul Proença, como marceneiro, começou a ler as páginas do jornal “para estar informado”, mas a fase em que a Gazeta das Caldas assumiu um papel ainda mais relevante na sua vida viria mais tarde. Aos 20 anos foi para a tropa, assentou praça em 1970, em Leiria. Daí foi fazer a especialidade em Lisboa e depois, ainda nesse ano, veio para as Caldas, para o RI5. “Foi bom! Ia almoçar, jantar e dormir a casa”. Desse ano lembra a ida, num dos três autocarros da Auto Penafiel a Santa Comba Dão, onde fez guarda-de-honra ao funeral de Salazar.
Das Caldas seguiu para Tomar, para formar batalhão, em agosto. O que não sabia é que iria acabar por ser mandado num comboio especial de Santa Margarida, fechado a cadeado, para o porto de Alcântara, onde embarcou num navio com 3000 homens e sem condições mínimas, que os levou, ao longo de seis dias, para a guerra na Guiné. “A minha mulher mandava sempre a Gazeta das Caldas e o jornal A Bola, eu só recebia 15 dias depois, mas para mim eram notícias frescas” e “quando recebíamos o jornal era uma alegria, sentíamos casa ao ler as notícias da nossa terra” e “nos poucos bocados de tempo livre que tinha, lia a Gazeta das Caldas da primeira à última linha”, conta. Para ter acesso ao jornal, mas também ao correio, cada soldado pagava 20 escudos por mês, para que um táxi aéreo fizesse esse serviço, às quartas-feiras (os alimentos eram abastecidos mensalmente pelos fuzileiros). Depois de vir da guerra, o caldense manteve sempre uma ligação ao jornal. Atualmente lê a Gazeta na sua oficina, onde faz móveis e outros trabalhos em madeira. Senta-se no banco e começa “por ver a primeira página e depois gosto de ler de trás para a frente, faço os passatempos, vejo os falecidos, para ver se não vejo lá a minha fotografia tão depressa, vejo o Caldas e depois vou lendo os títulos, para ler primeiro o que me interessa mais, depois volto atrás para ler o que não tinha lido”, conta. “Eu gosto de ler a Gazeta!”. Já saiu nas páginas do semanário pelo menos duas vezes, uma como artesão, num evento na Praça da Fruta, há cerca de quatro anos e outra, em 1986, num trabalho sobre uma das associações do Campo. “A Gazeta das Caldas é a História de todos”, afirma, contando que também lhe têm interessado os artigos sobre a História do próprio jornal. “Tenho acompanhado essa história toda sobre os fundadores e o 25 de Abril, etc.”, conta, deixando os parabéns à Gazeta por chegar aos 100 anos e os seus votos de que “tenham a coragem de não deixar acabar o papel, porque se não a minha geração deixa de ler o jornal”.

Ler o jornal no telemóvel
A Gazeta das Caldas tem procurado, ao longo dos anos, acompanhar as tendências, sem nunca descurar a tradição, a História e o compromisso com os seus leitores do papel. Mas as novas gerações têm diferentes hábitos de consumo de informação e o jornal, apesar de centenário, tem procurado responder a essa procura através das suas edições online e da dinamização do site e redes sociais.
João Tomás Machado, de 24 anos, é do Casal da Marinha, na freguesia caldense de Santa Catarina. Trabalha por conta própria, começou a ler a Gazeta das Caldas a partir dos 20 anos, na associação da sua terra, a que presidiu com 21. Depois acabou por se sentir tentado a tornar-se assinante digital. “Para mim é melhor”, afirma, notando que a possibilidade de receber o jornal em qualquer lado e ler, mas também consultar sempre que necessário, são duas grandes vantagens desta opção. “É muito mais fácil”, resume. O jovem costuma “ler o jornal do princípio para o fim”, começando pela primeira página. Os temas que mais lhe interessam são a Política (tendo integrado listas nas últimas duas autárquicas), mas também o Desporto, ou não fosse ele um antigo jogador das camadas jovens do Catarinense, em futsal (motivo pelo qual apareceu duas vezes nas páginas deste semanário) e, como empresário, claro, a Economia, mas a diversidade do jornal é, na sua opinião, um dos atrativos. Ao ser assinante da Gazeta, “a mais-valia é estar informado e atualizado das coisas importantes para nós e acho que os jovens deviam ter isso mais em conta”. João Tomás Machado defende mesmo que “é importante que mais pessoas façam a assinatura digital, porque é uma mais-valia” para elas e porque o custo “não faz grande diferença”, com um impacto praticamente nulo no orçamento anual.
O jovem deu os parabéns à Gazeta das Caldas e deixou votos de que “continuem o bom trabalho, a dedicação que têm em todo o concelho e essa ligação” que existe entre o jornal e a comunidade.

António Enxuto Santos lê a Gazeta em papel há mais de meio século

 

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