
A reflexão é do Poeta, ele mesmo: «tremo de medo se a ilha tremer /sinto que a alma sai dentro de mim /cismo que o sismo tem mais que fazer / ai quem me dera ser tempo sem fim. /casas caídas são dores na rua /paira a tristeza sobre o seu olhar /tombam as telhas no colo da lua /a ilha chora nas águas do mar. /esse tremor é pior do que a guerra /é um punhado de pedras de dor / mas uma esperança do ventre da terra /sai a cantar muitos versos de amor.»
Na sequência de nove poemas que começam todos do mesmo modo («perdi a poesia») o da página 34 resiste («perder não é morrer») e o da página 46 faz a ligação ao Amor: «ninguém sabe que os seus olhos /são duas ilhas azuis /a flutuar na liberdade /das palavras e dos amores»
Na sequência final um dos poemas interroga («depois da morte para que serve o medo?») e o último afirma: «O poeta vai continuar a cultivar a veleidade /de que tudo seria mais triste /se não andasse a rimar o pavor da morte /com o sossego infinito do além»
(Editora: Companhia das Ilhas, Direcção: Carlos Alberto Machado, Assistência editorial: Sara Santos, Capa e foto: Rui Melo, Grafismo: Rui Belo)





