
De acordo com Luís Mira, estas várias entidades irão agora junto do Ministério da Agricultura tentar resolver o bloqueio que se tem verificado neste processo. “O governo não pode fazer um discurso de que é preciso apoiar a agricultura e depois termos uma barragem com quase 10 anos e que nunca encheu à sua cota máxima porque as instituições do Estado – a que gere a água e a que gere a agricultura – nunca se entenderam sobre a licença de utilização da barragem”, denunciou.
Luís Mira considera que esta é uma situação “inaceitável”, até porque parte da solução, como é o caso do fecho da barragem para um maior aproveitamento da água, não tem quaisquer custos, tratando-se apenas de uma questão burocrática.
No que respeita ao projecto da rede de rega – com um custo inicial previsto na ordem dos 18 milhões de euros -, as entidades locais acreditam que é possível fazer alterações, reduzindo este investimento, bem como, posteriormente, o custo de utilização por parte dos agricultores.
O vereador obidense Humberto Marques diz que já contactou a Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural e acredita que ainda têm tempo para as alterações necessárias de modo a ter um perímetro de rega a funcionar dentro do próximo quadro comunitário de apoio, já a partir de 2014.
O presidente do Centro da Empresa Agrícola de Óbidos, Sabino Félix, lembra que há vários anos que as entidades locais lutam pela conclusão do projecto hidroagrícola, mas que têm estado a “trabalhar sozinhos”. Querem agora sensibilizar outras entidades e personalidades, que possam fazer alguma pressão junto do governo.
GRUPO DE PRESSÃO PODE AJUDAR
“Esta visita insere-se numa lógica de união de uma série de personalidades com alguma influência na esfera governamental para que possamos finalizar esta obra, que já está aqui quase há 10 anos e que não cumpre a sua finalidade”, disse.
De acordo com Sabino Félix, os produtores com terrenos junto ao rio aproveitam alguma água, mas os que estão a uma distância maior têm mais dificuldade em regar e rentabilizar as suas produções. “A área abrangida pelo projecto são 1400 hectares e agora talvez tenhamos uns 300 hectares a aproveitar a água da barragem”, disse.
Este agricultor destaca que a instalação da rede de rega fará rentabilizar a produção pois há culturas que poderão produzir até três vezes mais, ao mesmo tempo que se reduzem os custos da água. A conclusão do projecto permitirá também diminuir o assoreamento da lagoa de Óbidos, uma vez que vai regularizar os rios. Por outro lado, os agricultores deixarão de recorrer à tomada de água dos lençóis freáticos, evitando-se que a água salgada entre pelos campos agrícolas, como agora acontece.
A barragem de Óbidos, orçada em sete milhões de euros, foi inaugurada em 2005, mas sem a rede de rega, que oito anos continua por construir.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt





