
Adelino Gomes adverte o leitor: «Este não é um livro de História. O que temos para oferecer são fragmentos de uma revolução, na memória de quem a ajudou a arrancar no terreno. A verdade que cada um guarda em si do que fez e viu, a que somámos a forma como, passadas quatro décadas, avalia o resultado da mudança histórica em que se envolveu, ou se viu envolvido, naquele dia.»
Mas este não é mais «um» livro sobre o 25 de Abril, é «o» livro sobre o 25 de Abril. Todas as discrepâncias estão aqui presentes, notadas e relevadas. Por exemplo o facto de no Ultramar não haver viaturas M47 mas as acções decisivas no Terreiro do Paço, Rua do Arsenal e Ribeira das Naus, terem sido tomadas por homens dentro de viaturas M47. Outro aspecto curioso: foi um simples cabo apontador (José Alves Costa) que disse «não» ao poderoso brigadeiro Junqueira dos Reis. Catorze anos depois, numa entrevista dada a Fernando Assis Pacheco, sobre esse gesto de recusa, Salgueiro Maia dirá: «Aqui é que se ganhou o 25 de Abril».
O cabo apontador José Alves Costa (n.1951) vinha de um tempo de escravidão («Cheguei a comer meia sardinha e pão bolorento») e hoje continua a festejar o 25 de Abril («Abençoado dia») também porque a sua recusa ajudou a fazer a História: «Eu ia matar inocentes e fazer aquilo que não queria fazer? Daí eu recusar-me a dar fogo. É essa responsabilidade que eu assumi na maré e assumo.»
Nota final – neste «livro para ver e ler» escolhi uma foto de Alfredo Cunha em vez de capa não só porque a considero «a fotografia» mas também porque não pude reproduzir a capa por razões técnicas. A capa é muito grande como grande é a emoção depois da leitura deste álbum de palavras e de imagens. Por ser grande não cabe no vidro A4 do aparelho tal como a mensagem deste livro não cabe no coração dos seus leitores.
(Edição: Porto Editora, Capa: Alexandre Fernandes, Apoios: Câmara Municipal de Lisboa, Município de Braga, Assembleia da República, Município de Barcelos)
José do Carmo Francisco





