
No passado mês, foi apresentado na Casa da Democracia Portuguesa uma colecção de cinco caricaturas de personalidades nacionais e internacionais relevantes em cerâmica, realizadas nas Faianças Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha, que ele intitulou “Os Figurões”.
Com a projecção nacional e internacional que o cartoonista António tem, esta iniciativa que foi proporcionada por esta secular fábrica caldense, vai renovar e reforçar a imagem da cerâmica local e o prestígio que granjeou quando o seu fundador e o seu filho foram vivos e realizaram alguns dos trabalhos em cerâmica mais afamados em Portugal.
Zé Povinho tem um particular carinho pelos caricaturistas e cartoonistas portugueses e internacionais, alguns que têm pago com a vida a sua irreverência e a sua mordacidade.
Uma sociedade só é verdadeiramente livre e democrática quando se consegue rir de si própria e dos seus maiores, esquecendo ou deixando para as trevas do esquecimento, aqueles que se pensam os “donos disto tudo”, ou os donos de toda a verdade.
Mesmo que certas vezes possam parecer injustas, as críticas e especialmente as caricaturas, devem sempre ser aceites de bom grado pelas suas “vítimas”, que, se tiverem bom senso e razão, podem contar com o esquecimento nos tempos seguintes.
A experiência diz que só perduraram na memória colectiva as caricaturas que o tempo veio a confirmar a sua oportunidade e sinceridade, pelo que os injustamente criticados não têm nada a temer.
António, com o mérito do seu traço e o olhar perspicaz das situações que retrata, mostra a grandeza do seu trabalho que se iniciou, ironicamente, no dia do golpe das Caldas (16 de Março de 1974) no jornal A República. Zé Povinho considera-o como um dos seus e tem-no como um amigo dilecto.

As últimas décadas têm sido madrastas para muitas das povoações rurais em Portugal, cuja desertificação tem aumentado progressivamente e criado cada vez mais situações de completo abandono. Na região Oeste e no concelho das Caldas este abandono é minorado com a vinda de novos habitantes, geralmente de um nível social mais elevado, frequentemente estrangeiros, que têm meios de movimentação que lhes permitem o acesso rápido aos centros de maior dimensão, não lhes limitando a mobilidade, mas também muitas vezes limitando a sua participação mais intensa na vida comunitária.
Por outro lado, muitos hábitos e tradições locais que eram vivenciadas pelos habitantes dessas povoações foram-se perdendo, matando muitas das iniciativas que eram comuns à população mais idosa, que também já não pode animar as suas terras.
Não querer ver este fenómeno e insistir em repetir e mimetizar em todo o lado o que algumas povoações têm de infra-estruturas, sem perceber a tendência inexorável do futuro que se aproxima, leva a gastos desnecessários que a prazo se tornam inviáveis e sem meios para se manterem.
É o que sucedeu nos últimos trinta ou mais anos com muitos dos investimentos nas infra-estruturas desportivas do concelho (e infelizmente do país), que depois de gastos muitos milhares de euros dos impostos dos portugueses e dos europeus, ou mesmo das contribuições dos próprios utentes, estão ao abandono.
Não é só a falta de gente e de motivação para os manter e utilizar. Também é a falta de uma organização concelhia e de técnicos que possam dar vida a essas instalações ou campos desportivos. Nos casos onde acontece vida e pessoas, encontram-se sempre alguns carolas, mas também especialistas e técnicos que sabem o que querem e como devem captar os interessados na respectiva utilização.
Zé Povinho podia enumerar uma série de responsáveis por todo este quase descalabro total, mas para a culpa não morrer solteira, talvez seja de imputar a todos os potenciais utentes e responsáveis pela situação que esta semana se pode ler na Gazeta das Caldas. Fica o alerta e quando se fala no lançamento de novos projectos, será de fazer uma singela pergunta: O projecto tem viabilidade, sustentabilidade e público? Porque se não for assim, são os impostos de todos os que estão a arcar com essa responsabilidade!





