
É possível comparar o chocolate a um “doping saudável”? Sim é possível. Nas primeiras voltas a Portugal em bicicleta, bebidas achocolatadas como a Banacau e a Ovomaltine eram servidas ao longo das corridas, por serem ricas fontes de energia. “O cacau é desde há muito tempo reconhecido como um suplemento alimentar na dieta dos desportistas, como o Alves Barbosa, ciclista vencedor da volta em 1951, que se preparou para a corrida a tomar Ovomaltine diariamente”, contou Mário Lino, director do museu, acrescentando que marcas como a Ovomaltine chegavam a estar representadas nos percursos da volta com “uns senhores vestidos de branco que, com uma concha, serviam a bebida achocolatada acondicionada em latões de cinco litros”. Se estes se fossem embora, os ciclistas sabiam bem como desenrascar-se e “metiam a mão, às vezes cheia de óleo, dentro dos latões para encher os copos e garrafões”.
Rico em ferro, cálcio, potássio, magnésio e vitaminas (A, B1, C, D e E), o chocolate, consumido na dose certa (no máximo, 20 gramas diárias) pode trazer benefícios à saúde. Ao nível do cérebro, por exemplo, estimula a produção de substâncias que melhoram a concentração e de hormonas que actuam sobre o nosso humor, deixando-nos mais bem dispostos. Contudo, as vantagens alargam-se ao coração, pulmões, fígado, estômago, pâncreas, rins e intestinos.
“O bom chocolate negro nem sequer tem colesterol, mas o segredo está em distinguir os produtos que têm realmente qualidade”, sublinhou Teresa Serrenho, gerente da Bombondrice, que deixou o alerta: “devemos duvidar quando o chocolate é muito barato”. Segundo a responsável, as marcas mais económicas adicionam outras gorduras ao processo de produção, enquanto as dos métodos artesanais apenas utilizam a manteiga de cacau, um produto de origem vegetal.
As origens do chocolate
É nas florestas tropicais dos países abaixo da linha do Equador que se encontram as principais plantações de cacaueiros, árvores que dão o cacau (30 a 40 frutos por unidade) e que têm a sua época ideal entre os meses de Abril e Outubro. Curiosamente, “o cacaueiro é das poucas árvores da natureza em que o fruto nasce directamente no tronco”, explicou Teresa Serrenho, que chamou ainda a atenção para a exploração do trabalho infantil que existe nestes países. “Aquilo que tem vindo a acontecer é o estabelecimento de acordos entre as empresas de transformação do cacau e os produtores desta matéria-prima. Basicamente, assegura-se que os meninos que trabalham também vão à escola”.
Os grandes pioneiros no consumo do cacau foram os Aztecas, povo que se desenvolveu no actual México entre o século XIV e XVI. Ingeriam-no numa bebida – chamavam-lhe a água amarga – aproveitando-se das propriedades energéticas do fruto para “revigorar as forças da população antes de uma batalha”, recordou Teresa Serrenho.
Também os portugueses, quando descobrem o Brasil, rapidamente se apercebem do valor da fava do cacau e, por isso, usam-na como moeda de troca. Naquela altura, um coelho custaria uma fava, enquanto um escravo seriam 100. No entanto, foram os espanhóis os responsáveis por tornar doce o sabor amargo do cacau, acrescentando baunilha e açúcar à bebida achocolatada. Já o mérito de transformar o líquido negro em barras sólidas é dos holandeses que, por volta de 1800 desenvolveram um método de cristalização do chocolate.
Uma exposição pensada para as crianças
Ainda que aberta ao público em geral, a exposição Mundo do Chocolate foi concebida especialmente para as crianças. “Queremos preparar os consumidores do futuro, sensibilizar os mais novos para o valor da produção artesanal e da utilização de boas matérias primas”, afirmou Teresa Serrenho, assegurando diversão garantida às crianças que visitarem a exposição. Aqui, terão oportunidade para fazer uma peça em chocolate, recorrendo aos moldes e procedimentos utilizados pela Bombondrice, e poderão participar em diversos jogos didáticos.
Maria Beatriz Raposo
mbraposo@gazetadascaldas.pt





