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Dias do Jazz tiveram casa cheia em três concertos de jazz luso

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O concerto de quinta-feira trouxe música contemporânea aos Dias do Jazz

Foi um fim de semana forte para os amantes do jazz. O festival trouxe três propostas de primeira água do jazz luso e ainda houve uma sessão de música com Paulo Vicente e sobrinho, o atual diretor do Festival de Jazz de Bragança. Dias do Jazz terminarão em novembro com duas propostas, uma nacional e outra internacional

O Omniae Large Ensemble, de Pedro Melo Alves, apresentou-se a 8 de outubro, no grande auditório do CCC com uma proposta que desafiou as fronteiras entre a composição contemporânea, a improvisação, a música eletrónica experimental e ainda o free jazz.
O músico, que já tinha estado recentemente em residência artística no CCC, mostrou nesta atuação como o risco e a exploração do desconhecido se podem aliar e se encontrar num mesmo palco.

“Ficamos contentes de ter acolhido este concerto que é algo invulgar nos festivais de jazz”, disse o diretor do CCC, Mário Branquinho à Gazeta das Caldas. Tendo em conta a natureza deste concerto, este foi dirigido a um nicho de público , onde é possível constatar que há espectadores que vêm de fora da região para assistir às propostas dos Dias do Jazz.

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No dia seguinte, 9 de outubro, foi a vez de receber a cantora Maria João, que veio às Caldas para assinalar os seus 40 anos de carreira, com a apresentação do álbum “Abundância”.

Este projeto musical de celebração assinala o regresso às suas raízes e cruza as sonoridades de Moçambique com as de Lisboa.

Antes do concerto, a cantora partilhou com Gazeta das Caldas que estava feliz por “ter a oportunidade de celebrar os meus antepassados moçambicanos neste projeto”. A artista adora viajar e atuar por todo o país, nas suas mais variadas localidades e não apenas nos grandes centro urbanos.

A cantora crê que a música jazz “deve chegar a todos” e, por isso, iniciativas como os Dias do Jazz são sempre bem vindas e “deveriam realizar-se por todo o lado”. Maria João aprecia a capacidade deste género musical receber todos os outros o que a faz comentar que nem sabe bem definir o que é este género musical que “recebe os outros e que os envolve”.

Para a artista o facto de poder improvisar “é um dos amores da minha vida”.

O álbum Abundância já foi apresentado em Maputo, em Moçambique e também noutros países da Europa. Mas a artista gostaria que estas suas sonoridades “pudessem ser conhecidas e apresentadas por muitos mais lugares”, dado que este trabalho guarda em si temas “muito positivos, alegres e contentes da vida”.

Maria João tem prevista a saída de um novo álbum para a próxima Primavera, onde participará também o músico Carlos Bica. A artista está também focada num outro projeto com o músico João Farinha que será apresentado no CCB e que liga a voz da cantora à música eletrónica.

“Amo este espaço é tão bom e caloroso com um palco grande”, comentou a cantora referindo-se ao CCC, muito satisfeita por poder dar a conhecer um álbum que é tão pessoal ao público da região Oeste e arredores.

O Abundância “é um trabalho que “fala de onde eu vim, da minha mãe e por isso é mesmo importante”, rematou.A sua atuação contou com casa cheia. Sobre a cantora que há quatro décadas que está nos palcos do jazz nacional e internacional, Mário Branquinho comentou que esta “tem tido uma carreira e um percurso que são notáveis”.

No sábado, dia 10 de outubro, os Dias do Jazz contaram com a atuação da Orquestra do Hot Clube Portugal (HCP) na celebração dos 100 anos de John Coltrane.

A orquestra teve o auditório do CCC completamente cheio de gente que quis assistir a esta celebração criativa e inédita do centenário do nascimento de John Coltrane.

“O grupo convidou compositores contemporâneos a criar temas sobre esta celebração”, disse Mário Branquinho, acrescentando que a celebração do legado do lendário saxofonista não será esquecido pela liberdade criativa, pela improvisação e pela constante vontade em procurar novos caminhos sonoros.

Assim, no CCC ouviram-se em primeira mão novas criações dedicadas a John Coltrane, o que sem dúvida “é importante para a valorização do ponto de vista artístico para os Dias do Jazz”.

Este foi o concerto com maior plateia dos concertos do festival, o que é também revelador de que a Orquestra do Hot Clube “está a trilhar um caminho interessante e que é acompanhada pelo público no seu trajeto”, referiu o diretor.

Homenagem ao Jazz Man de Bragança

A programação dos Dias do Jazz deste ano ainda incluiu o ABô Vinil Jazz Sessions, que decorreram durante os três dias dos concertos no café concerto do CCC. Esta foi uma oportunidade de apresentar ao público parte do espólio/coleção de discos do médico Vicente de Sousa, numa viagem sonora pelo universo do jazz através da sua extraordinária coleção de vinil.

A apresentação foi feita pelo seu filho, Paulo Vicente e pelo seu neto, Francisco M. Sousa, mantendo viva uma paixão musical que atravessa gerações.

Paulo Vicente é produtor e DJ e atualmente reside nas Caldas da Rainha e Francisco M. Sousa, que é seu sobrinho é o diretor artístico do Bô Jazz – Vicente Sousa Fest, em Bragança, e responsável pela plataforma “Os putos do Jazz”, dando assim continuidade a este legado e à profunda ligação ao jazz que há nesta família.

As sessões ABô Vinil Jazz Sessions ligam a memória, o vinil e o jazz num só encontro. A saber: no dia 8 de outubro, tio e sobrinho apresentaram sessões dedicadas ao Jazz contemporâneo e ao free jazz e fizeram-no em consonância com o concerto de Pedro Melo Alves e os Omniae Large Ensemble.

No dia 9 de outubro, Paulo Vicente e Francisco Sousa apresentaram uma sessão onde salientaram as “As mulheres no Jazz” em ligação com o concerto Abundância, de celebração das quatro décadas de palco de Maria João.

No dia 10 de outubro, os músicos trouxeram ao café concerto os sons de Big Bands Jazz e de John Coltrane em linha com o concerto Meditations – Nos Passos De John Coltrane” da Orquestra Do Hot Clube Portugal.

À Gazeta das Caldas Paulo Vicente explicou que seu pai era um melómano e que dava a conhecer onde viviam, o que era a música jazz.

“Nós éramos sete irmãos e o meu pai colocava a música bem alta”, recordou o músico que gostou de crescer neste ambiente musical onde o jazz era rei. Agora teve a oportunidade de propor a iniciativa aliada aos Dias do Jazz e está pronto para alinhar em mais iniciativas congéneres.

As sessões que complementaram os concertos foram uma ótima iniciativa pois acrescentara “uma ótima atmosfera e um bom ambiente ao café concerto, relacionado com o festival”, disse.

Ainda no que se refere ao programa complementar do festival Dias do Jazz, na próxima terça-feira, dia 20 de outubro, com o apoio do

Conservatório de Música das Caldas da Rainha estão previstas sessões relacionadas com o jazz na Escola Básica do Avenal e na Escola Básica da Encosta do Sol. No dia seguinte, 21 de outubro, quarta-feira haverá sessões na Escola Básica de Salir de Matos e na Escola Básica da Tornada. Para nós estas são ações de grande valor e de mediação onde se transmite conhecimento sobre este género musical aos mais novos”. Como tal, o diretor valoriza a iniciativa onde se partilha também conhceimentos sobre a própria história do jazz. “Estamos atentos à criação de públicos e por isso estas iniciativas permite-nos tentar criar novos espectadores, atentos e críticos”, referiu.

A 22 de outubro e como já vai sendo habitual, os Dias do Jazz terão uma atuação no Estabelecimento Prisional das Caldas.
O festival já contou com uma Jam Session assegurada por músicos do Hot Club Portugal a 10 de outubro e haverá mais uma a 7 de novembro, a cargo de músicos do Conservatório de Música das Caldas da Rainha.

Os Dias do Jazz ainda terão mais dois concertos que decorrerão em novembro. No dia 6 atuará o grupo TGB, constituído por Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão e convidados.

Para o dia 7 de novembro será a vez de atuar o Quarteto de Henri Texier. Trata-se de uma lenda do jazz francês “que está a gerar muita expectativa e adesão à bilheteira”, rematou o diretor. Mário Branquinho tem notado que não é apenas para público oestino pois nota a presença de melómanos que assistem às atuações no CCC, desde Coimbra até Lisboa.

Dias do Jazz tem o apoio da DGArtes e do Município das Caldas da Rainha.

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