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Estratégia cultural de Óbidos quer aproximar as pessoas da literatura

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Apresentação de plano estratégico para a próxima década marcou cerimónia de celebração dos 10 anos de Cidade Criativa da Literatura da UNESCO

“Um plano ambicioso, rigoroso e construído com participação de agentes culturais, escolas, universidades, parceiros internacionais e a comunidade local”. Foi desta forma que o vereador da cultura, Ricardo Duque, se referiu à estratégia que irá guiar Óbidos até 2035, apresentada a 11 de dezembro, na Praça da Criatividade.

Um dos quatro eixos é a rede literária, que integra as livrarias temáticas, bibliotecas, residências artísticas, projetos comunitários, entre outros, e que agora deverá ser qualificada e expandida. Os espaços serão alvo de melhorias físicas, mas também deverão integrar soluções digitais e levar a rede a todas as freguesias do concelho. Aos eventos literários existentes, como o Folio e Latitudes, irão juntar-se a Bienal de Ilustração, o Festival de Literatura Infantil e Juvenil e o Festival de Poesia de Óbidos. Para além disso, este plano quer garantir que a “programação cultural seja contínua, diversificada e internacionalizada”, defendendo novos ciclos programáticos, curadorias temáticas e formatos híbridos que cruzem literatura com arte digital, com performance, com tecnologia, com ciência, com território.

A ligação ao território passa também pela programação nas freguesias, que deverá envolver as escolas, a par da vinda de autores, investigadores e artistas de diversas partes do mundo.

A formação de públicos é o terceiro eixo e, “talvez, o mais determinante no longo prazo”, reconheceu Ricardo Duque, elencando vários projetos que pretendem aproximar as pessoas da literatura e incentivar a sua participação ativa. “E isto é especialmente importante num território marcado por diferentes realidades sociais e educativas”, reconheceu o autarca, manifestando que a literatura “tem de ser um bem comum”.
O último eixo procura reforçar o papel de Óbidos na rede das Cidades Criativas da UNESCO, intensificando parcerias com cidades congéneres de todos os continentes, desenvolvendo projetos multilaterais, promovendo residências internacionais e participando em redes, feiras, festivais e programas de cooperação internacional. Outros dos objetivos passa, pelo reforço de laços com a lusofonia, especialmente com os PALOP e o Brasil, e investir na dimensão digital, com plataformas de cooperação ou a partilha global de conteúdos literários.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara, Filipe Daniel, assumiu o reforço da estratégia Vila Literária “aprofundando a ligação entre literatura e a educação, fomentando a cooperação internacional e promovendo a cultura como uma força de desenvolvimento económico e social”. Um projeto a 10 anos, que querem reforçar e “criar as condições para um dia nos podermos afirmar também como Capital Mundial do Livro”, concretizou o autarca.

Laboratório de políticas culturais
Também presente, o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, salientou que celebrar uma década de Cidade Criativa da Literatura da UNESCO é “reconhecer a consolidação de um projeto coletivo que colocou o livro, a leitura e a criação literária no centro da vida pública, da educação, da economia cultural e da projeção internacional deste território”, realçando que esta é, até hoje, a única cidade criativa da literatura da língua portuguesa.

De acordo com o governante, Óbidos “transformou-se num laboratório vivo de políticas culturais”, com impacto reconhecido na regeneração do centro histórico no aumento da atividade livreira, na diversificação da economia criativa, na projeção turística qualificada e na notoriedade internacional crescente da vila literária. Alberto Santos defendeu que a cultura é motor de coesão e que esta deve ser uma prioridade do município, tal como é do governo.

As comemorações começaram com a inauguração do monumento evocativo “Óbidos: Dez Anos a Celebrar a Palavra”, na Praça da Criatividade. Já dentro de portas, houve um momento de poesia, pelo ator Pedro Lamares e João Amorim, Sara Carreto e Constança Valério, alunos do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, dinamizaram um momento de leitura expressiva. A data ficou ainda marcada por uma mesa redonda que juntou Joana Pinho, da Ler Devagar, Telmo Faria, da Sociedade Vila Literária, Mafalda Milhões, da livraria “O Bichinho de Conto”, o escritor Mia Couto (por videoconferência), o vereador Ricardo Duque e o presidente da Câmara, Filipe Daniel, com uma retrospetiva da estratégia ligada à literatura e a recordação do livreiro José Pinho, um dos seus impulsionadores. Também a importância das parcerias para o sucesso destes “projetos vivos”, foi destacado pelos oradores.

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Alberto Santos defendeu que a cultura é motor de coesão
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Edição #5625

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