
O médico e fotógrafo amador Vasco Trancoso viu colocada uma fotografia sua no último anuário internacional “Fotografias de Rua”. Trata-se de uma imagem que captou no Bairro Alto, em Lisboa, e que faz agora parte daquele livro (de 200 páginas) que inclui 141 “Fotografias de Rua” de 117 autores de 34 países.
As eleitas foram seleccionadas entre 30.424 publicadas (de 2800 fotógrafos) durante 2015 e foram escolhidas por seis curadores.
“Sinto-me honrado e, naturalmente, muito satisfeito por ter uma foto publicada neste anuário”, disse o autor à Gazeta das Caldas.
Para o fotógrafo, este “é um incentivo importante” pois desta forma vê o seu trabalho reconhecido internacionalmente. “É mais fácil obter este tipo de reconhecimento quando o fotógrafo apresenta um estilo próprio e um trabalho coerente – que traz uma “visão” nova”, afirmou.
A fotografia que foi seleccionada foi captada quando passava pela rua do Norte, no Bairro Alto, e viu duas senhoras, entretidas, a comentar uma revista que liam… Era tal o entretenimento que não deram pelo fotógrafo. “Uma delas abriu a boca e “fiz” a fotografia. Fica o enigma! Terá sido tédio? Espanto? Aborrecimento? Sono?”, questionou-se.
Durante os últimos anos, a Street Photography tem sido aceite como forma de arte e expressão e há cada vez mais pessoas a aprender a apreciar e a entender esta modalidade.
Segundo Vasco Trancoso, Shakespeare comparou o mundo a um palco, em que as pessoas são actores que desempenham o seu o papel. “Na actualidade muitos fotógrafos têm adoptado essa ideia, de que a própria rua é como um teatro onde o palco está montado, e esperam que os eventuais actores entrem em cena”, disse.
Os fotógrafos de rua “tentam mostrar o lugar-comum, em que quase ninguém repara, como algo de mágico e ou extraordinário”. Por isso, este tipo de fotografias são uma importante vertente de documentação e interpretação sobre o tempo em que são feitas.
Vasco Trancoso conta que se dedica à fotografia de rua há dois anos e até criou uma rotina diária. “Fotografo para mim e por puro prazer. É uma obsessão saudável e salvífica”, concluiu.
A maior parte das suas fotos são a preto e branco e pode ser vista na sua página do Facebook ou no seu blog Heavenly (http://vascotrancoso.blogspot.com/).
O fotógrafo disse que gostaria de fazer uma exposição e publicar um livro com o seu trabalho de fotografia de rua feito ao longo dos últimos dois anos. “Como 90% das fotos foram feitas nas Caldas da Rainha, o seu conjunto acaba por representar, para além de uma crónica sobre mim mesmo, uma certa crónica desta cidade no início do século XXI”, rematou.








