Tem mais de 72 mil marcadores de livros que expõe regularmente pelo país. Contadora de histórias, também organiza tertúlias no Bombarral
Guida Bruno é bibliotecária e é conhecida pela coleção de marcadores de livros. Ao todo já ultrapassa os 72 mil exemplares que já expôs em bibliotecas e entidades de Norte a Sul do país.
A bombarralense, de 74 anos, viveu nas Caldas durante 15 anos e lecionou Geografia na Secção Liceal de Leiria, nos Pavilhões do Parque. Mais tarde, foi trabalhar para a biblioteca do Museu do Teatro que estava a ser criado em 1987 por uma comissão instaladora.
“Fui trabalhar com Amélia Rey Colaço que ofereceu a sua biblioteca para o museu”, disse Guida Bruno, também formada em Ciências Documentais. É na biblioteca do museu que Guida Bruno se depara com marcadores de livros, de todas as formas e feitios, e muitos que davam conta de factos históricos como a chegada da luz elétrica ou do primeiro esquentador a gás. “A chegada da linha do comboio ao Bombarral ou a inauguração do Teatro Eduardo Brazão está igualmente presente nos marcadores “que, antigamente, eram distribuídos pelos cegos”, contou.
Guida Bruno possui vários marcadores de antigas marcas, das mais variadas formas, feitios e até de materiais diferenciados desde metal, tecidos, plástico, cabedal, em bordados e até feitos em folha de milho.
A colecionadora participou também no livro biográfico “Estranha Forma de Vida”, sobre a fadista Amália, tendo acompanhado Vitor Pavão dos Santos nas entrevistas à artista. O autor deu-lhe então uma ideia: trocar marcadores de livros que lhe chegavam do estrangeiro por postais sobre a Amália, contribuindo assim para a divulgação da cantora e do próprio Museu do Teatro. “Foi um sucesso! E a partir de 1991 então passei rapidamente a ter milhares de exemplares”, contou Guida Bruno.
A sua coleção tem sido apresentada em várias bibliotecas e instituições do país tendo passado pelas bibliotecas municipais do Algarve, do Alentejo, Lisboa, Leiria, Batalha, Loures, Maia, entre tantas outras localidades. “Em Leiria fiz uma grande exposição com 3200 marcadores que foi montada com a colaboração de alunos do curso de Museologia da Batalha”, contou a bombarralense.
A coleção já foi alvo de estudos académicos, de vários alunos de mestrado que se dedicaram a várias vertentes, como do design, da comunicação e até da evolução da ortografia. A mostra já esteve em vários espaços, como bibliotecas e em universidades, onde tem sido apreciada por gente de todas as idades.
Entre os vários exemplares, Guida Bruno conta que há dois marcadores da segunda metade de 1800 – um sobre a Torre de Londres e outro sobre uma marca de meias inglesa -” e que são únicos no mundo, foram fotografados e estão em catálogos internacionais com o nome de Guida Bruno. Questionada sobre o que gostaria que acontecesse à sua coleção, conta que há uma hipótese de ir para a Biblioteca Nacional onde podem ser consultados por alunos das mais variadas temáticas, desde o Design até à Comunicação.
A coleção possui várias temáticas como por exemplo a informação médica e que se encontra em exposição no Museu da Farmácia.
Também tem uma área grande relacionada com a religião católica. Tem vários de santos e também relativos à Jornada da Juventude. Tem muitos sobre teatro e também sobre gastronomia.
Por ser alvo de vários artigos, a coleção de Guida Bruno fez com que a colecionadora fosse contactada pelo IKEA que lhe oferece as caixas onde coloca 413 marcadores. “É resultado da mediatização da coleção. Para ela contribuem várias pessoas como a livreira Isabel Castanheira, Margarida Araújo, Ana Pereira e José Carlos Faria”, disse Guida Bruno.
Além do Museu da Farmácia, terá em breve mais duas exposições, uma no Bombarral e uma outra na Maia.
Na biblioteca das Caldas, Guida Bruno já expôs duas vezes, uma dos marcadores mais antigos e uma outra referente aos 50 anos de Abril, já que a sua família republicana e antifascista possui ainda muita documentação relevante sobre o período do Estado Novo e da chegada da Liberdade. Guida Bruno é também contadora de histórias e fundou o projeto Mala d’ Estórias, iniciado em 2010, e que a leva “a todas as bibliotecas e escolas da A8 para contar histórias aos mais novos”. Muitas vezes fá-lo “transformada” em Rainha D. Leonor e as histórias já a levaram a integrar um projeto europeu, onde representa Portugal. O projeto conta agora com a colaboração de Maria Delgado que ajuda nas redes sociais do projeto e das parcerias. Guida Bruno também está a organizar tertúlias que decorrem no Caffé Capri, no Bombarral.








