Livro póstumo de João B. Serra sobre Gárgulas foi lançado na Torre do Tombo

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O escultor José Aurélio ladeado por elementos do Lida, da editora e da Torres do Tombo

As gárgulas da Torre do Tombo, criadas por José Aurélio, foram tema do último livro escrito por João B. Serra, e que foi lançado a 18 de dezembro, em Lisboa

O último livro de João Bonifácio Serra,“Badames, Ponteiros & Bujardas: As Gárgulas da Torre do Tombo”, foi lançado a 18 de dezembro, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. O projeto póstumo do investigador caldense, falecido em 2023, vítima de doença, foi concluído por amigos e colaboradores. João Serra tinha este projeto em mãos ligado à investigação sobre as gárgulas que aquele edifício possui e com ele pretendia-se também homenagear o escultor José Aurélio, o autor do arrojado projeto.

A apresentação contou com plateia cheia com autarcas caldenses, investigadores, familiares e amigos de José Aurélio, também de João Serra e de vários elementos ligados à ESAD.CR.

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Iniciado em 2021 por João B. Serra, a obra foi realizada no âmbito do Laboratório de Investigação em Design e Artes.

Segundo Renato Bispo, diretor do Laboratório de Investigação em Design e Artes (LiDA), esta entidade fez questão de editar a obra, deixada quase pronta pelo investigador e docente da ESAD.CR, João Serra. “Demos o nosso melhor para o terminar”, contou o docente que debatia com regularidade com João Serra a questão da memória, tema essencial para os estudantes da ESAD.CR. “Espero que este seja o primeiro de outros livros que vamos fazer no LiDA”, disse Renato Bispo, acrescentando que na própria entrevista que José Aurélio deu a João Serra sobre a criação das gárgulas que decoram a Torre do Tombo “este também foi pesquisar sobre as gárgulas medievais que antecederam este seu trabalho”.

Francisca Branco, que foi assistente de João Serra neste livro, informou que esta foi também “uma obra de descoberta coletiva que contou com pesquisa arquivística longa e incontável número de quilómetros para registos fotográficos”.

Homenagear escultor e investigador
Com esta edição, disse a investigadora, presta-se então homenagem a ambos, a escultor e a investigador. Explicou também que badames, ponteiros e bujardas são instrumentos de trabalho que foram fundamentais na criação das gárgulas, situadas nos ângulos exteriores da Torre do Tombo e que são guardiãs da casa da memória. Num discurso emocionado, a investigadora fez questão de agradecer a todos quantos fizeram parte deste projeto.

José Aurélio contou que fazer as gárgulas para a Torre do Tombo foi de facto “um trabalho ciclópico”. Contou que esta foi “uma grande aventura” iniciada pela grande amizade com arquiteto Arsénio Cordeiro, autor do edifício da Torre do Tombo. “As gárgulas não tiveram verbas iniciais para ser feitas”, contou o escultor, recordando que mais tarde, o arquiteto conseguiu obter verba com a então secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrícia Gouveia. “Foi algo mesmo brutal e feito com a referência das gárgulas dos Jerónimos”, contou o escultor que estudou o tema, tendo visitado as gárgulas que existem no país e em França. “Estudei o tema durante três meses e acabei por desenhar oito maquetes”, disse José Aurélio revelando que, quando as mostrou ao arquiteto, este se emocionou com a proposta. Foi ainda preciso ultrapassar os obstáculos colocados pelos Monumentos Nacionais que criaram entraves à colocação das oito peças, feitas em calcário oriundo das pedreiras de Porto de Mós, e que pesavam 30 toneladas cada uma. Temiam que não fossem estáveis. “Fiquei doente… pois achei que era um problema insolúvel…”, partilhou o autor. José Aurélio contou também que um dia acordou com a solução para este problema, que é simples: criar uma inclinação de 15 graus nos cachorros que suportavam as gárgulas, dando-lhes a necessária estabilidade, mesmo em caso de tremor de terra.

Jorge Janeiro, subdiretor da DGLAB, afirmou que este é um livro “onde se fala desta casa, que guarda a história de um país e da própria Humanidade”. Por seu lado, Jorge Ferreira, da editora Caleidoscópio, partilhou algumas conversas tidas com João Serra, investigador com quem a editora queria trabalhar há vários anos.

“Hoje a Caleidoscópio celebra 23 anos e tem finalmente uma obra do historiador caldense João Serra para apresentar”, rematou o editor da obra.

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