
O Espaço da Concas, no Centro de Artes, recebeu uma sessão, a 14 de Abril, onde foi lançado o catálogo dedicado à obra daquela artista, falecida em 1991.
Maria da Conceição Nunes era mais conhecida por Concas e a sua família – o marido e escultor Antonino Mendes e filhos – doou ao município das Caldas 700 obras, entre pinturas e desenhos. Estes últimos acabaram por constituir-se como o espólio do Espaço da Concas, o único que se dedica à pintura e que integra o Centro de Artes. Tal como o seu marido, a artista esteve muito ligada ao Centro de Artes e à génese da escola de artes caldense.
As obras de arte incluem desde os primeiros trabalhos daquela artista quando ainda frequentava as Belas Artes em Lisboa e termina um dia antes do trágico falecimento, vítima de doença súbita, em 1991.
Familiares e amigos da artista, ligada também à génese da ESAD, juntaram-se para uma sessão onde a vida e obra desta autora foi recordada.
Um dos oradores foi o pintor Mário Tropa, que foi a pessoa que a substituiu tomando o seu lugar de docente na ESAD. Um mês depois da sua morte “tomei o seu lugar na escola de artes”, contou o pintor e docente que leccionou pintura, gravura e serigrafia naquela escola.
Mário Tropa, hoje reformado, diz que conheceu Concas nas Belas Artes de Lisboa. “A pintura dela integra-se na da minha geração e por isso foi muito fácil dar continuidade ao seu trabalho”, revelou.
Satisfeito com a presença de tantos familiares e amigos, o escultor Antonino Mendes referiu que era bom estar em família para relembrar a artista e fez questão de referir que Mário Tropa “tinha todas as condições para a substituir”.
O artista partilhou com a sala cheia – improvisada no centro do espaço museológico – que houve uma fase em que a escola de artes funcionava em open space na ex-Matel e de como alguém procurando pelas antigas instalações da fábrica de cassetes – comentou ao ver professores e alunos a trabalhar: “devem estar a preparar o Carnaval de Torres Vedras…”. Estas e outras recordações foram lembradas num dia especial em que se recordou uma artista ligada a vários equipamentos culturais locais.
“Um espaço simples, tal como a artista gostaria”
“Para mim que sou pintor, este é o espaço que mais me agrada do Centro de Artes pelo aspecto afectivo que me liga a Concas e Antonino e pelo facto de a obra me ser próxima geracionalmente”, disse Mário Tropa, enquanto deu a conhecer a pintura que ofereceu e que pode ser vista à entrada deste espaço museológico. E para vincar esta homenagem o pintor diz que roubou a Concas “um pouco de um quadro como se fosse uma extensão dela na minha própria obra”.
Da sessão em que o catálogo especifica vários elementos da vida e obra da autora, fez ainda parte uma visita guiada e comentada ao espaço museológico.
A vereadora da Cultura, Maria da Conceição Pereira, agradeceu a generosidade da família em ter doado o espólio da artista e que levou à constituição do espaço da Concas. “Este é um lugar simples tal como ela gostaria que fosse, onde se podem sentir as emoções que estão por trás de cada uma das suas obras”, acrescentou a autarca.
Segundo a vereadora da Cultura, “é muito difícil falar da artista, por todo o seu trabalho artístico, de carácter pedagógico e formativo que teve para com as pessoas desta cidade”. A autarca aproveitou a ocasião para agradecer todo o trabalho que Antonino Mendes tem feito enquanto consultor do Centro de Artes e a forma como este tem contribuído para o crescimento e valorização daquela área dedicada à escultura. Tal como outros docentes da ESAD, Mário Tropa também ficou a viver nesta região, facto salientado por Maria da Conceição Pereira.
A autarca referiu a forte ligação da artista à Bienal Internacional das Caldas e a todo o espaço do Centro de Artes.
“Era alguém que nos encantava e seduzia pela sua capacidade de mobilizar”, concluiu.
Natacha Narciso
nnarciso@gazetadascaldas.pt








