
Um ano depois, Guillermo Aguilar-Huerta apresenta In Situ, uma exposição inspirada no universo e na mecânica industrial, que ganha forma através de materiais orgânicos, como o cartão, o plástico e a madeira.
“Na altura em que me mudei para Berlim queria comprar materiais de arte, mas eram tão caros que optei por trabalhar com materiais recicláveis, mais baratos, mas igualmente bons”, explicou o artista à Gazeta das Caldas.
As figuras geométricas e as cores fortes são outros dois elementos que saltam à vista nas obras de Guillermo Aguilar-Huerta, que recorre frequentemente aos padrões tradicionais mexicanos. “Apesar de não gostar de matemática, trabalho muito com a geometria, pois é o que me permite dar uma forma bela às coisas”, esclareceu o artista de 33 anos, que também se inspira nos movimentos cubistas e futuristas.
Na primeira sala do Museu Bernardo, Guillermo Aguilar-Huerta deparou-se com uma dificuldade à hora de montar todos os elementos: tanto as paredes como o chão têm inscritas outras duas obras, “por isso tive que criar uma instalação que se adaptasse e unisse ao que já existia”. A obra principal da exposição encontra-se no final do percurso e corresponde ao fragmento de uma galáxia, uma peça cheia de cor e contrastes.
O Museu Bernardo foi também palco para algumas estreias de Guillermo Aguilar-Huerta, que nunca tinha trabalhado a conjugação entre o preto e o branco nem feito esculturas em acrílico.
In Situ apresenta ainda uma peça inspirada em Portugal, de cores mais sóbrias. Isto porque, Guillermo Aguilar-Huerta faz questão de, sempre que expõe em países diferentes, criar obras que o remetam para esses lugares. Para isso, e no caso desta exposição, o artista pernoitou em algumas divisões do Museu Bernardo.
Todas as peças da exposição foram criadas especialmente para esta mostra, um trabalho que foi desenvolvido ao longo de três semanas e que resulta da residência artística de Guillermo Aguilar-Huerta no Museu Bernardo, que exibe In Situ até ao próximo dia 16 de Janeiro.
De regresso a Berlim, o artista mexicano pensa voltar às Caldas no próximo ano com o tema dos azulejos.
Maria Beatriz Raposo
mbraposo@gazetadascaldas.pt





