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Rainha foi tema de debate e de visitas guiadas

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Investigadores estiveram nas Caldas para palestras e visitas aos espaços de D. Leonor

A Rainha D. Leonor apoiou a edição de vários livros em Portugal. Entre eles “O Espelho de Cristina” de Christine de Pisan, que data do início do século XV. Esta autora afirmava que as mulheres também podiam aprender, que não eram inferiores aos homens. Christine de Pisan foi uma das primeiras autoras a viver como escritora e que tinha o intuito de pensar ensinamentos para as mulheres do seu tempo. Esta foi mais uma das apostas da rainha que fundou as Caldas, pois D. Leonor mandou imprimir este livro em Portugal.

Caldas recebeu a 29 de novembro, o congresso Internacional “O Mecenato da Rainha Dona Leonor – Arte, Poder e Devoção no V Centenário da sua Morte”, onde decorreram palestras, debates e visitas guiadas. Segundo Maria Adelaide Miranda, do Instituto de Estudos Medievais da Nova, umas das entidades organizadoras do evento, “o congresso correu muito bem, pois houve muita reflexão que dá para avançar sobre o conhecimento sobre a rainha”. O Congresso – que contou com especialistas espanhóis e um belga que participaram nas iniciativas que tiveram lugar em Lisboa – trouxe algumas novidades. Por exemplo, confirma-se que a Bíblia dos Jerónimos, que esteve desde sempre associada a el rei D. Manuel, “terá sido encomendada por D. João II e tinha como destinatária a rainha”, disse a investigadora Delmira Custódio, uma das convidadas da conferência.

Por seu lado, a historiadora Ana Sonsino estudou a fundo a chegada do livro “O Espelho de Cristina” de Christine de Pisan, e crê que esta foi uma das muitas apostas editoriais da rainha. O que há de novo é que a investigadora atribui à rainha também funções de editora. “Gosto de explorar a ideia que ela tinha um plano e uma intenção de salvar as almas dos seus súbditos e súbditas”.

Ana Sonsino considera que a rainha “era uma mulher culta e poderosa que sabia exercer o seu poder dentro do próprio sistema”. A investigadora ainda defende que esse também era o propósito de Christine Pisan. A sua obra terá tido uma edição de 1500 exemplares. “Só restaram três exemplares o que significa que foi muito lido”, disse a convidada acrescentando que dois estão em Portugal e o terceiro, em Espanha.

No inventário de D. Leonor constava um destes exemplares que visava educar as mulheres. “A rainha deverá ter levado este livro para as senhoras da corte”, afirmou a convidada. No seu livro, Christine de Pisan “começa a sua obra falando para rainhas e princesas e termina dirigindo-se às mulheres mais pobres que vivem na rua”, ou seja, incluía todas as mulheres de forma transversal, pois todas mereciam ser educadas, como os homens.

A vereadora da Cultura, Conceição Henriques afirmou que as Caldas se prontificou a acolher a parte final do congresso, pois “é com todo o gosto que somos parceiros desta iniciativa com vertente internacional”.

À tarde, os participantes visitaram a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo com um dos oradores, José Custódio Vieira da Silva, ao complexo termal com Dora Mendes e ainda à exposição sobre a Rainha no Museu de José Malhoa, guiada pela diretora Nicole Costa. A mostra é um tributo à figura histórica, cuja influência perdura 500 anos após a sua morte.

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Edição #5625

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