O Sana Silver Coast Hotel, nas Caldas da Rainha, foi o palco escolhido para o mais recente “Concerto Mais Pequeno do Mundo” da Rádio Comercial. No passado dia 4 de Maio um restrito grupo de pessoas teve oportunidade de assistir a um concerto verdadeiramente intimista de Tiago Bettencourt, o cantor e compositor que em 2003, e ainda como vocalista dos Toranja, com a música “Carta” foi catapultado para a fama.
Nestes últimos dez anos, Tiago Bettencourt afirmou-se a solo e participou em diversos projectos musicais. Ao longo da sua carreira muitos são os que se deixam encantar pelas letras e músicas únicas e “que fogem às fórmulas”, muitas das quais recuperadas no álbum “Acústico”, editado no ano passado.
Foi este o álbum que Tiago Bettencourt trouxe ao mini concerto nas Caldas da Rainha. Um espectáculo aberto apenas para 10 ouvintes da Rádio Comercial (e respectivos acompanhantes) que se surpreenderam com uma nova letra para a música “Carta” e para alguns (poucos) convidados.
O resultado: uma oportunidade única de ouvir alguns dos temas assinados pelo cantor natural de Coimbra num ambiente “familiar”. Quem o diz é o próprio Tiago Bettencourt, que à conta das férias passadas na Foz do Arelho e em São Martinho do Porto conhece bem a região. “Sinto-me em casa”, garantia no final de um concerto que arrancou dos presentes rasgados elogios.
Já mais complicada foi a proximidade (maior do que o costume) ao público. “Nunca fui aquela pessoa que no meio do grupo de amigos puxa da guitarra e começa a cantar, por isso é muito difícil para mim tocar para um grupo tão pequeno de pessoas. Ainda por cima, esta sala tem uma acústica muito boa e ouve-se tudo, qualquer cochicho, qualquer disparo de máquina fotográfica”, confidenciou.
Mas a proximidade também tem as suas vantagens. E esta foi uma oportunidade para Tiago Bettencourt sensibilizar os seus fãs para a importância de comprar o trabalho dos músicos de quem se gosta. Comprar os álbuns (e não piratear!), assistir a concertos, ajudá-los a serem recompensados pelo seu trabalho. “É um bocado agoniante que as pessoas não percebam quem está e quem não está a usar fórmulas e custa ver artistas portugueses tão bons a desaparecerem, porque não conseguem furar o desespero comercial de muita música feita em Portugal”, lamentou o músico. E no caso da sua música, que “não é uma coisa imediata, é preciso uma pessoa sentar-se e querer ouvir e gostar. É uma luta constante”, afiança.
Por isso, numa altura em que parece não haver lugar para todos, “as pessoas que gostam de boa música têm de puxar pela boa música”. E as pessoas que optam pelos downloads e cópias ilegais, “vão-nos cortando membros e não têm essa noção, e isso é agoniante”.
Ainda assim, Tiago Bettencourt deixa uma promessa, a de continuar a fazer a sua música, sem fórmulas, enquanto houver quem o queira ouvir. “Temos de nos agarrar a uma ideia qualquer e acreditarmos que se mantermos essa ideia quando formos velhinhos vamos estar mais contentes connosco próprios do que se seguirmos as fórmulas e formos muito ricos, numa mansão, mas vazios”.
Antes do concerto, os ouvintes da Rádio Comercial e Tiago Bettencourt sentaram-se à mesma mesa e partilharam um jantar no Restaurante do Hotel, o Lisbonense. Polvo, escalopes de alcatra, morango e manga foram alguns dos ingredientes que compuseram os pratos servidos em louça Bordallo Pinheiro.
O repasto ajudou à boa disposição que se viu no concerto, onde houve até direito a uma espécie de “discos pedidos”, com os fãs a pedirem as músicas que queriam ouvir. E para Tiago Bettencourt, que já antes tinha dado um “Concerto Mais Pequeno do Mundo”, este “foi um concerto muito engraçado, as pessoas estavam muito divertidas”. J.F.
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