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Quando o coração se divide entre as Caldas e a Académica

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O Caldas-Académica que se joga amanhã para a Taça de Portugal tem atraído grande curiosidade e deverá levar muitos adeptos do Caldas e da Académica ao Campo da Mata. Porém, também são vários os casos de pessoas que vão estar divididas no seu apoio, por estarem há muitos anos nas Caldas mas por terem um passado em Coimbra. Gazeta das Caldas falou com algumas dessas pessoas e embora se notem corações divididos, o impacto que uma vitória pode trazer ao Caldas e à cidade parece fazer pender o prato da balança para os pelicanos.

Gazeta das CaldasGUIDA SOUSA,
ADMINISTRATIVA NO CHO

“Vou torcer pela Académica mas
gostava que ganhasse o Caldas”

É entusiasmante, é uma situação que me pesa porque sou de Coimbra, a minha família toda é da Académica e cresci no meio de tudo aquilo, mas estou nas Caldas há 37 anos e o coração balança.
O meu pai e os meus irmãos iam ver os jogos com bandeiras e uns chapéus típicos que havia, nos tempos em que a Académica jogava muito bem, tinha jogadores como o Maló, o Vítor e o Mário Campos, e todos tinham que estudar e não eram profissionais. Tudo aquilo despertava um espírito muito forte de ser da Académica.
O Caldas confesso que não conheço, mas é a cidade que escolhi. Se pudessem empatar para mim era o ideal, como alguém tem que ganhar, que seja quem jogar melhor. Mas até gostava que fosse o Caldas, seria um prémio para a equipa e seria muito bom para a cidade.
Não vou poder ver o jogo porque estou a trabalhar e também sofre-se muito com o futebol e ainda mais num caso destes, mas os meus familiares vão estar cá e por isso tenho que torcer pela Académica.

Gazeta das CaldasLUÍS SÁ LOPES,
DIRECTOR PEDAGÓGICO DA ETEO

“A entrada em campo ao som da balada de Coimbra é algo de muito diferente”

No futebol vamos alterando um pouco os nossos gostos ao longo da vida. Sou adepto e sócio do Benfica, mas nasci em Viana e por isso também gostava muito do SC Vianense. Nos anos 60 fui para Coimbra e Académica mexe com qualquer pessoa. A entrada em campo ao som da balada de Coimbra é algo de muito diferente. Dos três anos que lá estive lembro-me de uma final que a Académica perdeu com o Setúbal por 3-2 num jogo que durou 2h24, nessa altura não havia penáltis, jogavam até cair para o lado.
Depois mudei-me para as Caldas e fui muitas vezes ver jogos do Caldas, o meu filho é sócio e gosto muito do clube.
Estou nas Caldas há 50 anos, sinto a cidade e o clube e ficaria mais feliz se passasse o Caldas. Há hipóteses de que tal aconteça e nesse caso volta a jogar em casa com o Farense a seguir e era uma hipótese para fazer algo para ficar na história. E também me parece que ficaria mais gente feliz se o Caldas passasse do que se fosse a Académica. A Taça é uma competição especial e seria muito bom também para a cidade, e o Caldas também precisava de algo como isto para se projectar. [showhide]

Gazeta das CaldasJOÃO HENRIQUES,
PROFESSOR

“Íamos de capa e batina para todo o lado e quase não gastávamos dinheiro”
Morei e estudei em Coimbra e até cheguei a fazer parte dos FAN’s (Falange de Apoio Negro), fui sócio muitos anos, enquanto fui estudante, porque além do futebol havia outros aspectos interessantes em ser sócio da Associação Académica. Mesmo depois de me mudar para as Caldas, há 22 anos, continuei algum tempo como sócio por correspondência.
Íamos de capa e batina para todo o lado e quase não gastávamos dinheiro. O meu filho também estudou lá e tenho lá família.
Cá nas Caldas tenho amigos ligados ao Caldas SC e falamos sobre o jogo, assim como com os familiares que tenho em Coimbra, vamos reunir-nos para ir ao jogo, se for possível.
O resultado? Empatar não podem, mas podem ficar assim nos 90 minutos e depois que ganhe o melhor… e que seja o Caldas.
No dia do jogo com o Arouca fui de manhã à Mata dar a habitual volta e vi o movimento que havia logo cedo, só soube depois que era por causa desse jogo. Se o Caldas ganhar o impacto é maior para o clube e para a cidade do que se o vencedor for a Académica.

Gazeta das CaldasANTÓNIO CURADO,
DIRECTOR CLÍNICO DO CHO

“Se o Caldas ganhar vai
exigir-se que ganhe ao Farense”

Quando vi o resultado do sorteio fiquei satisfeito, vivendo nas Caldas há mais de 30 anos e ligado a Coimbra, a minha reacção na altura foi que pelo menos um deles passa. Seja qual deles for ficarei satisfeito, mas temos tendência por puxar pelo mais fraco e, sendo o Caldas de uma divisão inferior, penso que vou estar a torcer mais pelo Caldas.
Fiz a minha licenciatura em Coimbra, gosto muito de futebol. Lembro-me bem da Académica nas competições europeias, na década de 60. Estive lá entre 1976 e 1982, numa altura em que perdeu algum élan. Nessa altura era o Clube Académico de Coimbra e isso retirou algum do charme. Mas mesmo assim havia ligação. O Dr. Mário Campos, que foi um dos grandes jogadores da Académica na década de 60, foi meu professor. Conheci e confraternizei com o Manuel António, que foi o único bola de prata [melhor marcador do campeonato]. Depois também havia um defesa que, tal como eu, se chamava Curado. Quem gosta de futebol gosta da Académica.
Vou lá estar nas bancadas, seguramente, e não é habitual ir ao Campo da Mata. Uma vitória do Caldas seria incrível para as Caldas, a desvantagem é que, se ganhar, vai exigir-se que ganhe também ao Farense. [/showhide]

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Edição #5625

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