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“O objetivo que me falta concretizar é conquistar uma grande volta”

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Ao serviço da UAE Emirates XRG, João Almeida fez, em 2025, uma temporada de exceção, com três vitórias em voltas de uma semana e o segundo lugar na Volta à Espanha. Em entrevista à Gazeta das Caldas, o jovem ciclista natural de A-dos-Francos faz um balanço positivo do ano e garante que irá continuar a trabalhar “no duro” para alcançar bons resultados. Concentrado nos objetivos que traça, ambiciona vencer uma grande volta

Que significado tem para o João Almeida ser reconhecido como “Personalidade do Ano” pela Gazeta das Caldas?
Ser reconhecido como Personalidade do Ano é gratificante, obviamente. É sempre um orgulho ser reconhecido, ainda para mais pela minha terra. E também é um bom sinal, de que continuo a fazer bons feitos e a dar o meu melhor.

O João é hoje admirado um pouco por todo o mundo, continua a sentir-se ligado às Caldas da Rainha?
Sim, sem dúvida que me sinto ligado às Caldas da Rainha, foi onde cresci e é onde treino uma boa parte do ano também. Vai ser sempre especial.
Foi também nas Caldas que eu estudei e tenho sempre uma conexão aqui ao nosso concelho, não só às Caldas da Rainha, mas ao concelho todo, vai ser sempre importante para mim.

Que papel teve a formação e o ambiente da região no seu percurso até ao topo?
Teve um papel importante. Todas as fases são importantes no caminho inteiro, mas obviamente que a formação foi importante.
Temos uma região bastante boa, com bom tempo, boas estradas, pessoas que também, regra geral, respeitam muito a bicicleta, e isso tudo ajuda para alcançar um nível superior.

2025 foi mais um ano de afirmação internacional, com grandes vitórias. Que balanço faz da época?
É um balanço muito positivo, foi a minha melhor temporada de sempre. Muitas vitórias, vitórias boas. Portanto, é continuar a trabalhar no duro, que é isso que nos dá força e nos dá resultados.

No pelotão mundial, O João Almeida já é visto como um dos mais consistentes corredores de grandes voltas. O que sente que ainda falta conquistar?
Acho que me falta conquistar um grande tour, uma grande volta. Acho que é o objetivo que me falta concretizar na minha carreira, e que eu gostava mesmo de alcançar. Tudo o resto é um bónus.
Obviamente que quero sempre ganhar mais corridas, ter mais vitórias e ganhar corridas diferentes. Mas uma grande volta é mesmo aquilo que eu ambiciono poder um dia alcançar e que eu vou lutar para tentar conquistar.

Há algum momento ou vitória que tenha tido um sabor especial?
Lá está, todas as vitórias são importantes. Todas têm um sentimento especial e todas têm um peso na próxima. Também é tudo uma questão de confiança e uma confirmação do trabalho que se tem vindo a fazer. Então todas as vitórias são importantes, mas diria que aquela em L’Angliru [na Volta à Espanha 2025] foi a mais histórica.

Cumprir um calendário tão exigente implica grandes sacrifícios pessoais. Como é a vida de um ciclista ao longo do ano?
Sim, obviamente que é uma vida bastante dura e com sacrifícios, mas acaba por ser um estilo de vida, como qualquer atleta, de qualquer desporto. Acho que o ciclismo é bastante exigente, mas também acaba por ter outras vantagens e outro reconhecimento que algumas das modalidades não têm.
Portanto, é duro, mas quando se gosta deste desporto e se tem esta paixão, acaba por se encarar de forma positiva e faz-se tudo o que for necessário para conseguir alcançar as vitórias e fazer o que se gosta.

As rotinas são muito rigorosas. O que é que o motiva nos treinos diários?
Pessoalmente, o que me motiva é a minha evolução, sentir que estou a melhorar e cada vez mais forte. E é isso que me dá motivação para os treinos diários e para as corridas.

E não há de vez quando um dia em que pensa: hoje não me apetecia nada pegar na bicicleta?
Sim, todos temos dias menos bons. Há dias em que a vontade não é muita, mas tem que ser. No fundo, é uma responsabilidade que temos. É como se fosse um trabalho normal. Mas também, normalmente, custa a começar, mas quando vem o início do treino já vou totalmente motivado outra vez. Mas lá está, quando se está com o foco total e se está focado no objetivo, mentalmente estamos sempre preparados para enfrentar mais um dia.

Como é escalar as montanhas mais difíceis da Europa e ver bandeiras portuguesas, o nome escrito na estrada e pessoas a gritar João Almeida?
Sim, apesar de Portugal ser um país pequeno, quando enfrentas as montanhas mais difíceis da Europa, estão lá sempre bandeiras portuguesas, o meu nome está escrito na estrada, as pessoas a gritar o meu nome, e isso tem um sabor especial. Temos muitas pessoas emigradas e é giro ver que nós nos apoiamos uns aos outros. E mostra também a raça lusitana, em que nos apoiamos em todas as partes do mundo.

O fenómeno João Almeida trouxe um novo mediatismo ao ciclismo em Portugal. Como avalia a evolução da modalidade no país nos últimos anos?
Sim, sinceramente acho que evoluiu ligeiramente, mas muito aquém do expectável. Esperamos que nos próximos anos continue a evoluir. Acho que já há uma mudança de mentalidade no ciclismo português e as coisas já estão a começar a evoluir.
Obviamente o início é sempre o que demora mais e é o mais difícil. Mas assim que “a bola começar a rolar”, acho que a evolução vai ser mais notável e vai-se ver o avanço verdadeiro que custa ao início.

Disse publicamente ter Rui Costa, que anunciou a retirada no final da época, como ídolo. Como foi ter corrido ao lado dele?
Sim, foi uma honra ter corrido com o Rui, infelizmente só corri, acho que foi só uma temporada como colega de equipa dele, soube a pouco. Aprendi muito com ele, passou-me a experiência dele e também a sua mentalidade e sem dúvida que sou o ciclista que sou hoje também devido a isso. Vi-o na televisão, em 2013, a ser campeão do mundo, e sempre foi um ídolo para mim no ciclismo. Foi uma honra ter corrido ao lado dele, quer seja como colega de equipa ou como adversário. E é sem dúvida um ciclista com muita classe.

E com Tadej Pogaçar, como é correr e treinar com ele?
Sim, com o Tadej é um bocadinho mais difícil treinar com ele porque ele anda tanto que é um bocadinho difícil acompanhar. Mas é uma honra também correr com ele, é uma pessoa cinco estrelas e também tem muita classe, é uma boa pessoa e sabemos que vamos fazer parte da história quando estamos a correr com ele… e parte da vitória, o que é sempre especial.

O que sente quando sabe que há jovens ciclistas que o veem como um exemplo?
Também é gratificante e motivador. Sinto que os jovens ciclistas me veem como exemplo, tento dar sempre o melhor exemplo que consigo e passar boas mensagens, e espero inspirar futuros ciclistas e futuras crianças também a esforçarem-se para aquilo que querem ser.

Quais são os grandes objetivos para 2026?
Os objetivos em 2026 são ganhar mais corridas, continuar a focar-me na minha evolução e ficar mais forte. No fundo, ter mais vitórias e continuar a ter sucesso.

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Edição #5625

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