
Caldas obteve o segundo triunfo no Grupo dos Primeiros da 1.ª Divisão nacional de Rugby RC ao bater o CR Arcos de Valdevez por 12-8
Foi um dia chuvoso, com vento ligeiro, mas frio, que acolheu o programa do 28º aniversário do Caldas RC, em sua casa, o Estádio Dr. José Luís de Melo Silveira Botelho.
Tal não impediu que, logo pela manhã, o Torneio de Rugby Juvenil acolhesse cerca de uma centena de jovens Rugbistas, em representação dos nossos vizinhos e amigos do RC Santarém, dos Mustangs de Almada e do nosso parceiro o Ericeira Rugby.
Também nesta manhã, o Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vítor Marques, que, como sempre, nos honrou com a sua presença. Recebido pelo Presidente da Direção do Caldas RC, Luís Gaspar, acompanhado pelos Vice-Presidentes David Esteves e Tomas Cambournac e pelo Presidente da Assembleia Geral, António Ferreira Marques, recebeu uma singela recordação deste dia tão especial e, na ocasião, endereçou palavras de agradecimento ao trabalho em prole do Desporto e da Cidade desenvolvido pelo clube ao longo destes anos, mostrando a total disponibilidade do Município para continuar a apoiar as várias atividades e iniciativas anunciadas no programa estratégico da atual Direção. Luís Gaspar agradeceu todo o apoio, nunca regateado pela CMCR, reforçando o compromisso da continuidade na formação de jovens atletas e cidadãos e da representação da Cidade no País. Aproveitou a oportunidade para anunciar a proposta à Assembleia Geral de premiar a CMCR como sócio honorário do Caldas RC, o que foi aceita, com regozijo pelo Presidente Vítor Marques.
A partida da 7ª jornada da Fase Final do CN1 apresentava-se como difícil para o Caldas RC. Defrontava o CR Arcos de Valdevez, na liderança da classificação e com pretensões, legítimas a chegar à final e ao campeonato, com uma equipa com muitas adaptações, fruto de lesões de recuperação longa e muitas ausências por motivos pessoais.
A resposta do espírito Pelicano não poderia ser melhor. Unidos, estruturados num plano de jogo mais conservador, bem implementado por toda a equipa, os Caldenses entraram, nas quatro linhas do seu relvado, com tudo para honrar o “verde e azul” e os 28 anos de Rugby nas Caldas Rainha.
E os Pelicanos entraram com tudo.
Logo aos 3 minutos, uma conquista em alinhamento, um maul bem montado, fase do jogo em que o Caldas é exímio, e o ensaio a ser concretizado por Tomas Cambournac, a jogar a nº8. Leonardo Ferreira, habitual asa e hoje adaptado a médio de abertura, não transformou e o placardaberto a 5-0.
O Caldas, empolgado, passou a dominar, a partir de conquistas nas formações ordenadas e alinhamentos, conservando a posse e obrigando a erros adversários.
Apenas a ausência dos habituais chutadores iam impedindo um melhor aproveitamento, à touch, das penalidades cometidas pela defensiva Arcuzense. Mas, quando possível, conquistas seguidas de mauls, e fases de avançados bem montadas a partir de scrums, iam criando várias oportunidades, prejudicadas na concretização por alguns erros não forçados.
Finalmente aos 22 minutos, mais uma sequência de maul, uma fase de pick&go’spacientes, a oval a progredir até à última linha do CRAV e Rodrigo Cavaco Silva, o jovem hoje a estrear-se como médio de formação a concretizar o toque de meta. Leonardo Ferreira, acrescentou mais dois pontos, no pontapé de transformação, e colocou o marcador em 12-0.
Vantagem que premiava o melhor Rugby dos Caldenses.
Como lhe competia o CRAV reagiu. Passou a pressionar o meio-campo do Caldas e a espaços instalou-se nos 22 metros do seu adversário. Responderam os Pelicanos, defesa agressiva, não dando qualquer centímetro de vantagem.
Aos 27 minutos, não conseguindo ultrapassar a linha de vantagem, o CRAV foi aos postes, na transformação de uma penalidade. Luís Salvado não falhou e reduziu para 12-3.
Acentuou-se a pressão dos Minhotos, nos últimos 10 minutos. Várias ocasiões em que o jogo esteve instalado nos últimos 10 metros dos pelicanos, mas uma entrega total na defesa da sua linha de vantagem impediu qualquer hipótese para o CRAV pontuar. Placagens eficazes, obrigando a faltas no solo, formações ordenadas conquistadas ao adversário foram a nota de domínio dos Caldenses, Também se ganham jogos de Rugby dominando os princípios defensivos.
1ª Parte: Caldas RC – 12 (2E, 1T) vs CR Arcos de Valdevez – 3 (1P)
A vantagem do Caldas ao intervalo resultava do domínio nas fases estáticas, uma defesa que nunca eu chances ao CRAV e na concretização das oportunidades nos 22 metros do adversário, a partir de jogo paciente de avançados.
O CRAV nunca conseguiu impor o seu jogo, talvez surpreendido pela resposta sempre muito intensa e física do XV da casa, na placagem e no jogo no solo.
Para os segundos 40 minutos esperava-se uma resposta dos Arcuzenses. Conseguiriam os Pelicanos manter a compostura tática e a capacidade de luta? A resposta ditaria o resultado.
Como se esperava o CRAV entrou determinado a dar a volta ao marcador desfavorável.
Responderam os Caldenses mantendo uma capacidade física, uma defesa intransponível e o domínio das formações ordenadas, não cedendo qualquer vantagem na sua linha, provocando o erro e obrigando a faltas ao seu oponente. Sempre possível procuravam o contra-ataque e mantendo a posse no meio campo contrário. Este plano de jogo seria a chave para o triunfo.
Aos 53 minutos, e numa jogada à entrada dos 22 metros do Caldas, saiu lesionado o talonador Alexis Scotto, pancada na cabeça, substituído Ricardo Correia que passou a pilar por troca com David Esteves. Na sequência a formação ordenada com introdução do CRAV foi bem conquistada pelos Minhotos, a oval jogada rápida até à ponta, aproveitando alguma desconcentração defensiva do Caldas, talvez na única ocasião em que tal aconteceu em todo o encontro, e o ensaio a ser concretizado pelo nº 11 João Serôdio. João Pedro Fernandes não transformou e o marcador em 12-8.
Os Pelicanos voltaram a procurar montar o seu jogo. Recuperações da oval no contacto e a procura de contra-ataques e conquistas em alinhamentos seguidos de mauls sempre poderosos, apenas erros finais de manuseamento a impedirem oportunidades de pontuar.
Para o último quarto da partida acentuou-se a pressão do CRAV, em busca de inverter o resultado. O jogo passou a ser mais lutado do que jogado, os Pelicanos placavam tudo o que mexia e conquistavam a oval no jogo do solo, provocando faltas pelos avançados adversários.
Uma dessas faltas, aos 69 minutos resultou a amostragem de um cartão amarelo e os consequentes 10 minutos no “banco do pecado” ao Pilar Sebastião Ibarra.
Nos últimos 10 minutos, e com vantagem de mais um homem, os Pelicanos acreditavam que podiam vencer e não deram um palmo de terreno aos Minhotos.
O CRAV ia tentando, mas com algum desespero face à resiliência do Caldas passou a jogar com alguma indisciplina, e aos 77 minuto viu o seu fly-half Luis Salvado também admoestado com a cartolina amarela, por contestação de decisão de arbitragem.
Últimos minutos com os Arcuzenses a tentar tudo, mas sem qualquer cedência do Caldenses.
A partida terminou com o jovem árbitro Marco Minelli a ver-se obrigado a mostrar a cartolina vermelha a dois jogadores do CRAV, João Serôdio e Joel Gomes, por palavras dirigidas.
O triunfo assentou bem aos Pelicanos. A equipa jogou sempre com a máxima concentração, unida e colocando o máximo vigor em todas as jogadas. O plano de jogo foi cumprido na perfeição, montado na conservação da oval, jogo de avançados paciente, explorando todas as oportunidades a partir das fases estáticas onde o Caldas foi claramente superior. Quando pressionados a defesa foi coriácea obrigando ao erro e à falta do adversário.
Os Acurzenses tentaram sempre o ataque, mas nunca conseguiram contrariar o jogo dos Caldenses.
A partida foi dirigida por Marco Minelli, auxiliado por elementos das duas equipas. Numa partida muito intensa e muito física teve que intervir disciplinarmente na parte final
O troféu de MVP foi atribuído a Leonardo Ferreira, hoje em funções de médio de abertura. O galardão, uma oferta da Adega de Borba, foi entregue por Pedro Madaleno, em representação da PneuGreen, uma das legendas do Rugby Pelicano, jogador, o primeiro internacional com as cores do Clube Caldense, treinador e dirigente do Caldas RC.
A festa de aniversário prolongou-se peal tarde restante e noite dentro, Algumas centenas de sócios, simpatizantes e amigos do Caldas RC, incluindo muitos dos nossos sócios expatriados que também aproveitaram para seguir as tês partidas do Torneio das 6 Nações, desfrutaram das magníficas condições da agora renovada Caldas Rugby ClubHouse. Também os nossos adversários participaram na já habitual 3ª parte, o que só acontece nesta nossa modalidade.
No próximo sábado, o Caldas RC receberá o RC Lousã, no seu Estádio Dr. José Luís de Melo Silveira Botelho, para a a 8ª jornada desta Fase Final do cN1. No mesmo dia, de manhã, será disputada a 1ª Jornada Taça Silver no escalão Sub16, adiada devido à tempestade Kristin. Para as duas competições esperamos a presença dos sócios e simpatizantes do Caldas RC em apoio às suas equipas.
O Caldas RC alinhou com: Afonso Oliveira, Alexis Scotto, André Stashko, António Pardal, Augusto Andrade, David Esteves, Diogo Vasconcelos, Filipe Gil, Francisco Santos, José Contreras (Cap.), Leonardo Ferreira (1T), Marcos Pedregal, Pedro Arruda, Rafael Cavaco Silva, Ricardo Correia, Ricardo Marques, Rodrigo Cavaco Silva (1E), Tomas Cambournac (1E), Wilson Bento
Treinador: Luís Gaspar
Preparador Físico: André Filipe
Diretor de Equipa: António Ferreira Marques
Fisioterapeuta: Cassandra Gonzalez (Physioclem)










