Arruda dos Vinhos é o único concelho acima da média nacional, Caldas aproxima-se
Os dados do Estudo de Poder de Compra Concelhio de 2023 revelam um quadro complexo para a região Oeste: enquanto alguns concelhos ganham dinamismo, a generalidade da região apresenta sinais de contração na competitividade, posicionando-se significativamente abaixo da média nacional. O Índice de Poder de Compra (IPC) do Oeste registou em 2023 um valor de 89,53, traduzindo uma queda de 0,68 pontos percentuais face a 2021, ano em que se situava em 90,21. Por seu turno, a nova unidade territorial Oeste e Vale do Tejo (NUT II) apresenta um IPC de 89,85, o mais baixo de Portugal Continental.
A análise desagregada pelos 12 concelhos que compõem o Oeste evidencia disparidades significativas. Arruda dos Vinhos destaca-se como o concelho com melhor desempenho, mantendo um IPC de 102,85 em 2023, o que o coloca na 24.ª posição do ranking nacional de 302 concelhos portugueses, apenas ligeiramente abaixo de 2021 (posição 23). Este pequeno município vinícola consolida-se como um enclave de capacidade económica relativa no contexto regional, muito por força da proximidade com a região da Grande Lisboa.
A seguir encontra-se Caldas da Rainha (IPC 99,78, ranking 34), que constitui o principal polo urbano e comercial da região, mantendo uma dinâmica favorável com evolução positiva desde 2021 (IPC 98,79, ranking 36). O concelho continua a aproximar-se da média nacional, tendo subido o índice de poder de compra em 0,99 pontos percentuais.
Torres Vedras (IPC 93,52, ranking 56) completa o trio de concelhos acima dos 90 pontos, registando uma melhoria de quatro posições no ranking nacional, passando da 60.ª para a 56.ª posição. Estes três concelhos beneficiam de maior densidade populacional, diversidade económica e proximidade a mercados de consumo.
No extremo oposto situa-se Cadaval com um IPC de apenas 75,25, o pior desempenho entre os 12, e uma queda dramática de 23 posições no ranking (de 178.ª em 2021 para 201.ª em 2023). É destacadamente o concelho onde o poder de compra é menor na região, mas é de assinalar que Óbidos (81,67), Sobral de Monte Agraço (82,39), Bombarral (82,89), Lourinhã (84,16) e Alcobaça (84,79) se encontram a mais de 15 pontos percentuais da média nacional.
É ainda de notar que, dos 12 concelhos do Oeste, apenas três viram o poder de compra dos seus munícipes subir face à média nacional. Além das Caldas, Óbidos e Nazaré foram os outros que subiram, respetivamente 0,35 e 0,28 pontos percentuais. Note-se, ainda, que as quebras foram mais acentuadas, com Alcobaça, Alenquer, Bombarral, Lourinhã e Sobral de Monte Agraço a perderem mais 1 ponto percentual.
No Fator de Dinamismo Regional (FDR), que expõe a trajetória temporal do poder de compra, Nazaré e Óbidos destacam-se com valores extraordinariamente elevados (2,192 e 2,142 respetivamente), sugerindo capacidade de crescimento económico que ultrapassa a média nacional. Estes dois concelhos costeiros beneficiam do turismo, património cultural e, no caso de Nazaré, da indústria pesqueira e do desporto de ondas.
Peniche, outro concelho litorâneo, regista um FDR de 0,686, igualmente positivo. A região costeira, globalmente, demonstra maior resiliência, contrastando com o interior que enfrenta processos de envelhecimento demográfico e êxodo rural. Lourinhã (FDR 0,277) e Caldas da Rainha (FDR 0,020) completam o grupo de concelhos com dinâmica positiva, enquanto a maioria dos restantes apresenta valores negativos.
A reestruturação administrativa que criou a região Oeste e Vale do Tejo como NUT II coloca o Oeste na NUT II com menor poder de compra entre as nove do país. Só as regiões autónomas apresentam piores indicadores. Acima estão o Centro – de onde o Oeste saiu – com 90 pontos e o Alentejo com 90,2. Entre as NUT III, o Oeste situa-se com um IPC de 89,53, ocupa o 12.º lugar entre as 26 sub-regiões.
O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio (EPCC) é um estudo estatístico bienal desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística que visa quantificar o poder de compra manifestado nos 308 municípios portugueses. O EPCC trabalha com 15 variáveis de base derivadas de procedimentos administrativos e operações estatísticas, que englobam dados sobre transações imobiliárias, operações bancárias (levantamentos e compras em multibanco), impostos municipais (IMT e IMI), rendimento bruto declarado para IRS, crédito para habitação, ganhos de trabalhadores, volume de negócios do comércio e restauração, e densidade populacional urbana. Todas estas variáveis são relativizadas pela população residente estimada pelo INE para 31 de dezembro do ano em análise, permitindo uma comparação equitativa entre municípios de diferentes dimensões.
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