Quarta-feira, 14 _ Janeiro _ 2026, 3:35
- publicidade -
InícioEconomiaGeoparque Mundial da UNESCO tem tido impacto na economia

Geoparque Mundial da UNESCO tem tido impacto na economia

-

Com pouco mais de um ano de existência ainda não há dados concretos sobre os impactos a nível económico do Geoparque na região. No entanto, estes são visíveis, também ao nível da Ciência, na Educação e em termos turísticos

No dia 28 de março de 2024 era anunciado pela UNESCO o Geoparque Mundial do Oeste, em Portugal. Daí para cá (e até antes, quando era “apenas” aspirante), o Geoparque tem tido impactos notórios, não só a nível económico, neste território.

Miguel Reis Silva, coordenador executivo do Geoparque Oeste, explana à Gazeta das Caldas o que tem sido feito e como isso tem impactado o território. “Neste ano, aquilo que temos sentido, ou seja, a nossa percepção ao nível dos impactos é efetivamente positiva”, afirma.
Notando que desenvolvem a sua ação sustentada em três pilares: ciência, educação e turismo, abordou cada um eles, referindo que todos têm “uma base, que são as comunidades locais e o seu tecido empresarial e associativo”.

Miguel Reis Silva frisa ainda que, “quando estamos a falar de uma entidade que tem como objetivo a promoção e divulgação do património natural e cultural singular, como é o caso daquilo que temos presente neste território – e só por isso é que o território é hoje reconhecido pela UNESCO como Geoparque Mundial -, os impactos são sempre positivos, não só naquilo que é a temática da atratividade científica, cultural, educativa, mas também na vertente de promoção e na criação de novos negócios”. Salienta ainda que “o papel do Geoparque é acima de tudo agregador”.

O coordenador executivo destaca ainda que este Geoparque se insere num território “que tem uma dinâmica social, económica, educativa, cultural e científica” muito vincada, sendo “um território muito vivo”. Isso, sendo amplamente positivo, dificulta o cálculo dos verdadeiros impactos, nomeadamente económicos, do projeto.

Ainda assim, realça, no pilar da ciência, “o Geoparque passou a ser requisitado e solicitado por um conjunto de entidades académicas, universidades, nacionais e estrangeiras, para podermos acolher estágios, mas também dar apoio em teses de mestrado e doutoramento, por um lado de uma forma direta e por outro de forma indireta, fazendo a ponte com as autarquias e com as entidades que desenvolvem ciência no território, e que neste momento são cerca de 15 entidades que temos no nosso catálogo de investigação como entidades que desenvolvem investigação, mas também que têm capacidade de acolhimento de investigadores”.

No pilar da educação, “a percepção que temos ao nível do impacto é muito positiva, porque fazendo a analogia entre os números que tínhamos antes da atribuição da chancela para os números que temos depois, o crescimento foi superior a 100% e, neste momento e desde o ano letivo passado, estamos a receber no território, em média, cerca de 100 crianças e jovens por semana, de todo o país”. Isso porque “os professores veem que, através do Geoparque, podem ter o território como exemplo daquilo que são os temas e as matérias que dão em sala de aula”.

Depois, na parte turística “o feedback é também muito positivo”, dado que tem vindo “a aumentar de forma progressiva os parceiros do Geoparque na área das empresas de animação turística e alojamento local, o que também é bastante interessante”.

Contadores inteligentes
Para o futuro gostavam de conseguir perceber se efetivamente o Geoparque traz mais gente para o território. “Temos um projeto em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Oeste e com os municípios que integram o Geoparque para a implementação de contadores inteligentes em pontos estratégicos, nomeadamente em alguns geossítios, e aí saberemos efetivamente, contudo, tendo sempre uma margem de erro associada, mas conseguiremos medir os fluxos de pessoas que visitam os locais que o Geoparque promove”, esclarece, acrescentando que outra forma de medição é uma análise que estão a fazer da rede de cerca de 40 infraestruturas museológicas e iniciativas. “Podemos fazer uma análise cronológica e histórica daquilo que tem vindo a ser o fluxo de visitantes nestas infraestruturas que o Geoparque também promove e depois fazer o paralelismo e perceber se, a partir de 2024, tem havido um aumento ou não”, explica, notando que será “também necessário perceber se o aumento é sustentado e efetivo, ou se acompanha alguns picos sazonais que têm muito a ver com aquilo que são, por exemplo, as interrupções letivas, as férias de verão, ou alguns eventos nacionais e internacionais que vão acontecer no território”. Trata-se, portanto, de “uma análise muito fina que o Geoparque tem vindo a fazer”. É que, afirma, “é possível medir, mas não nos podemos apropriar dos bons números que este território tem para oferecer”.

Um dado que partilha é que “os números de 2025 indicam que a taxa média de pernoita nos alojamentos disponíveis no território do Geoparque é superior à média nacional, o que é bastante motivador para quem tem um negócio de alojamento”.

Miguel Reis Silva frisa ainda a participação do Geoparque em eventos para os quais convidam os parceiros e para os quais têm tido resposta amplamente positiva por parte destes. “Temos sentido que há, efetivamente, uma resposta mais célebre por parte dos nossos parceiros nestes convites no último ano”, ou seja, desde que receberam a chancela.

Tudo isto leva Miguel Reis Silva a concluir que “não há dúvida nenhuma que um território com uma chancela UNESCO tem sempre algo mais para oferecer ao visitante do que um território que não tem qualquer tipo de chancela UNESCO”. Acresce que no território do Geoparque há várias, além dessa, como a reserva da Biosfera das Berlengas, o património mundial do Mosteiro de Alcobaça, duas cidades criativas (Caldas e Óbidos), uma Cátedra UNESCO e um clube UNESCO. “E tudo isto num território muito pequenino e com potencial gigante de atratividade”, resume. “Por isso sabemos que os territórios UNESCO, por si só, têm um valor imenso e são vistos de outra forma perante os visitantes, sabemos o trabalho que estamos a fazer e, como tal, a percepção que temos é que efetivamente este projeto, esta estratégia desenvolvida e querida pelos municípios que o integram está, efetivamente, a dar frutos”, acrescenta.

Prego Dourado
Um dos objetivos do Geoparque, dentro destes três pilares, é a promoção dos produtos locais e da gastronomia local. Para isto desenvolveram o programa Prego Dourado. O objetivo é simples: dar a conhecer a gastronomia local e, através dela, “comunicar património local, seja ele natural ou cultural”. O projeto tem cerca de 30 parceiros com mais de 100 produtos.

Com uma grande predominância do vinho, dos licores e da aguardente, há também bolachas, biscoitos, doces, compotas, gins e sidra. “Temos um conjunto de produtos bastante representativos do território”, nota, exemplificando com o peixe seco ou a sardinha em conserva.

“Este programa para nós é muito importante porque é através dele que comunicamos e promovemos o território e a sua gastronomia”, exclama. E se o objetivo é ter cada vez mais parceiros, “o facto de termos vindo a crescer o número de produtos é também sinónimo de reconhecimento por parte dos parceiros locais” de que estarem associados lhes “pode trazer vantagem ou pelo menos valorizar o produto que comercializam”.

É que além de promoverem os produtos em feiras desenvolvem ações de promoção específicas e permitem aos parceiros participarem de forma totalmente gratuita em eventos como a Bolsa de Turismo de Lisboa, as Noites Jurássicas no Dinoparque e outros. A esse nível, Miguel Reis Silva chama a atenção para Conferência Mundial dos Geoparque, que em 2027 acontecerá, pela primeira vez, em Portugal. “Será também uma excelente oportunidade para que os parceiros do Geoparque possam promover os seus produtos e os seus serviços e estar num evento à escala mundial, pois contamos com pessoas de mais de 50 países provenientes de cerca de 240 Geoparques espalhados por todo o mundo, será uma oportunidade única”, conclui.

- Advertisment -

Edição #5625

Assine a Gazeta das Caldas e aceda todas as notícias premium da região Oeste.

Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.