Quinta-feira, 29 _ Outubro _ 2026, 17:30
Início Educação Inteligência Artificial em foco na aula inaugural da EHTO

Inteligência Artificial em foco na aula inaugural da EHTO

0
95
Início do ano letivo decorreu na Sala-Estúdio do Teatro da Rainha

Como a IA pode ser utilizada pelos alunos e pelos professores e quais os impactos que terá no ensino e no turismo foi o mote da conversa com sete oradores que constituiu a aula inaugural deste ano letivo da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.
Gonçalo Abreu, da Makewise empresa que nasceu nas Caldas há mais de 20 anos e que está instalada no Parque Tecnológico de Óbidos, apresentou as soluções que começaram a desenvolver com IA há cerca de 10 anos. Na área da mobilidade, conseguem fazer a identificação automática de viaturas ou de objetos ou situações estranhas na via. Outro projeto é o self-checkout de restaurantes e cantinas, para comida não embalada, com recurso a sensores inteligentes. As preocupações com a privacidade, “o bom senso, a ética e os princípios devem estar sempre presentes”, fez notar o especialista, que abordou as vantagens e desvantagens da IA notando que existe “um enorme risco e um enorme potencial”, falando dos impactos previsíveis deste avanço tecnológico no emprego e a nível social.
Por sua vez, Nuno Gaio, do Parque Tecnológico de Óbidos, apresentou este equipamento, cujas 107 empresas representaram no último ano um volume de negócios de 73 milhões de euros empregando 680 pessoas. Salientou vários exemplos de como a IA pode ser uma ferramenta útil ao trabalho, mas notando que esta deve ser utilizada para nos dar mais tempo para “nos dedicarmos àquilo em que fazemos a diferença, que é a interação, o contacto com o outro”. Sobre as soluções utilizadas em Óbidos, partilhou uma ferramenta para contar o número de pessoas no interior das muralhas com recurso a sensores, que surgiu durante a pandemia e foi desenvolvida pela Makewise. Tal permite fazer uma gestão de fluxos e gerir os riscos. “A IA tem regras e é muito importante que quem a usa perceba que cada vez mais há diretrizes”, sinalizou.
Já o consultor Miguel Silvestre deixou um apelo ao empreendedorismo e o alerta de que o país tem uma “iliteracia digital muito grande”. O consultor avisou ainda os alunos acerca da construção da pegada digital de cada um.
Fernando Mora Ramos, do Teatro Rainha, partilhou um diálogo que escreveu entre uma IA e um humano e Henrique Fialho, da mesma instituição, refletiu sobre os dois extremos, um apocalíptico e outro deslumbrado. “O mais importante é ter dúvidas sobre esses dois extremos”, afirmou. A importância da memória para o ser humano e o facto de esta ser cada vez menos treinada foi uma das preocupações que partilhou. “A memória desenvolve-se através da leitura e da escrita”, salientou. Essas ações, bem como o consumo das artes são as armas contra as ameaças da IA, defendeu.
Por sua vez, Célia Antunes, formadora na EHTO, destacou a importância da escola nesse equilíbrio e a necessidade de adaptação do ensino, salientando a relevância de uma “abordagem mais prática” e de “avaliar pelo processo” e não pelos resultados. A docente deixou ainda uma mensagem aos alunos de que percebam os problemas que a tecnologia vai criar e procurem depois desenvolver soluções. No final do encontro ficou estabelecida a criação de um centro de IA para que os alunos tenham uma melhor literacia digital.
O diretor da EHTO, Daniel Pinto sugeriu aos alunos que abandonem “uma postura passiva” e que sejam participativos, inovadores e criativos. Este ano a escola regista um aumento na sua procura”, afirmou. “Vamos ter 225 alunos em formação inicial e contínua” (38% dos quais são internacionais). “Abrimos duas turmas de primeiro ano do curso técnico de Cozinha e Restauração e quatro turmas de nível 5”, explicou. No nível 4 houve a fusão entre o curso Técnico de Cozinha e Pastelaria e o Curso Técnico de Restaurante/Bar. Outra novidade é a presença de um grupo de 10 alunos que resulta de um protocolo entre o Ministério do Turismo de Angola e o Turismo de Portugal. “Temos vindo a ter nos últimos anos uma procura de alunos internacionais, sobretudo dos PALOP, mas que vêm por sua iniciativa”, esclareceu, mas nunca tinha sido feito um protocolo que desse aos alunos condições para virem estudar para Portugal e para esta escola que apresenta uma taxa de empregabilidade acima dos 95%.
Para comemorar os 20 anos da EHTO, haverá uma gala, a edição de um livro e o lançamento de um vinho, além de 20 ex-alunos partilharem as suas experiências.
A escola recebeu um prémio nos Hospitality Education Awards, em Lisboa, para o Melhor Projeto Educacional com o Concurso Nacional de Pastelaria Literária.

- publicidade -
0
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.