
A este título tem muito de exemplar a situação vivida em 1870 quando o arcebispo de Braga soube da existência em Amarante de «um casal de Diabos» (ainda por cima fortemente sexualizados) e ordenou que fossem queimados por achar nefasta e escandalosa a convivência com os santos. Mas o prior limitou-se a mandá-los mutilar nos órgãos sexuais tendo eles passado a um canto da igreja até que o senhor Alberto Sandeman, cavalheiro inglês, prontamente os adquiriu por três libras de ouro, enviando-os para Londres onde fizeram furor. «Entretanto os amarantinos não se tinham conformado com a forçada emigração dos seus Diabos de estimação, clamando pela sua restituição. De tal forma que o então ministro dos Negócios Estrangeiros consegui que o senhor Sandeman devolvesse o casal de divindades , provocando o delírio nos amarantinos. Ao chegarem a Amarante , foram recebidos por Banda de Música, pelas entidades públicas, particulares e por uma multidão exuberante.»
E conclui Aurélio Lopes: «este é um bom exemplo de devoção popular a diabolizadas potestades pré-cristãs perpetuando-se pontualmente através de tempos imemoriais até chegar, com particular vitalidade, aos nossos dias.»
(Editora: Apenas Livros, Revisão: Luís Filipe Coelho, Direccão: Ana Paula Guimarães, Apoios: FCT, IELT e FCSH da Universidade Nova)





