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A importância de transmitir limites

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Lurdes Pequicho
Educadora de Infância

As notícias que têm surgido ultimamente em relação a agressões de filhos para com os pais têm aumentado e acredito que muito tem a ver com os limites e com a dependência entre gerações. A APAV, divulgou que entre 2022 e 2024, registaram 5.654 casos de violência de filhos contra pais e que cerca de 48% não apresenta queixa às autoridades judiciais, provavelmente por vergonha e por se sentirem culpados.

O que são afinal os limites? No meu entender é uma linha imaginária que limita o fim de alguma coisa. Uma linha que separa o que o outro quer fazer e o teu limite pessoal. E tendo em conta, que acredito plenamente que as crianças aprendem pelo exemplo, o que fará uma criança que vê o pai a bater-lhe ou a bater no irmão, quando tem algum comportamento desajustado? Ou quando a criança tem tudo o quer e uma vez é contrariada e pressionada? Será que vai saber lidar com isso?

Ouvi uma vez uma analogia sobre os limites que me pareceu bastante elucidativa. Se quisermos passar um desfiladeiro de um lado para o outro e existirem duas pontes de madeira, uma com cordas para nos apoiarmos e outra sem cordas, apenas as tábuas de madeira juntas umas às outras, qual é que nós escolhemos?

Muito provavelmente, escolhemos a que tem as cordas. As cordas significam os limites, os limites que orientam, que mostram por onde podemos ir e que nos transmitem segurança. Os limites mostram o caminho a seguir com segurança e permitem antecipar o que se pode esperar do outro lado. Por isso, acredito que as crianças têm de aprender a lidar com contrariedades e terem essa possibilidade com a orientação dos pais e não mais tarde em que a rede de apoio é menor e os riscos que correm são maiores. É importante as crianças perceberem até onde podem ir com os outros, para também elas saberem comunicar os seus limites e dizerem “não” quando alguém os ultrapassa.

Quando quiseres comunicares os teus limites ao teu filho fá-lo com clareza e sê específico naquilo que pretendes que ele faça. Depois ouve a sua opinião e mostra-te disponível para o orientar no caminho certo. Confia nele para encontrar formas de executar esse limite e responsabiliza-o por essas escolhas. Deixa-o tentar, observa e reconhece os comportamentos desejados. Desta forma estás a envolve-lo no processo e o compromisso em cumprir será maior. Agora é praticar sem culpas, sem julgamentos e principalmente com muito amor e empatia.

Com amor

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Edição #5625

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