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Açúcar e adoçantes nas crianças: devemos preocupar-nos?

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Vaneza Sichel, Helena Machado Sousa,Inês Menezes, Bárbara Marques
Pediatria, ULSO-Hospital de Caldas da Rainha

O sabor doce faz parte da alimentação desde muito cedo. No entanto, nem todo o “doce” é igual, e é importante perceber o impacto que o consumo de açúcar e de adoçantes pode ter na saúde.

Açúcares
Os açúcares estão naturalmente presentes em alimentos como a fruta, o leite ou alguns vegetais, mas também são frequentemente adicionados a produtos como bolachas, cereais, iogurtes ou refrigerantes. Sendo hidratos de carbono, quando consumidos de forma equilibrada, têm um papel importante na alimentação. No entanto, o seu consumo excessivo é comum em crianças e está associado a um maior risco de cáries dentárias, obesidade, diabetes mellitus, para além de contribuir para uma preferência persistente por sabores doces. Assim, a Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo de açúcares simples seja inferior a 10% do valor calórico total da dieta.

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Adoçantes
Os adoçantes são substâncias utilizadas para dar sabor doce aos alimentos, muitas vezes com poucas ou nenhumas calorias. Estão presentes sobretudo em produtos “light” ou “sem açúcar” e são frequentemente utilizados como alternativa ao açúcar.
Existem dois tipos de adoçantes:
– Adoçantes naturais: calóricos (açúcares, mel, xarope de ácer…) ou acalóricos (stévia, taumatina…)
-Adoçantes artificiais: calóricos (açúcares modificados, álcoois de açúcar) ou acalóricos (aspartamo, sacarina, ciclamato…)
De forma geral, os adoçantes aprovados (acesulfame potássico, ciclamato, neo-hesperidina dihidrochalcona, sacarina, sucralose, taumatina, neotame, glicosídeos de esteviol, sal de aspartame acessulfame e advantame) são considerados seguros em crianças saudáveis quando consumidos dentro dos limites recomendados.

Consumo nas crianças
Até aos 3 anos, não é recomendada a utilização de adoçantes nem açúcares. Nesta fase, o mais importante é promover o contacto com os sabores naturais dos alimentos. Os adoçantes artificiais não são permitidos em fórmulas infantis, cereais ou alimentos preparados destinados a crianças pequenas, sendo apenas admitidas pequenas quantidades de açúcares como a frutose ou a sacarose. À medida que a criança cresce, o consumo de produtos com açúcar ou adoçantes adicionados, como refrigerantes ou sumos de fruta, deve ser limitado. Em alguns casos, os adoçantes, especialmente os acalóricos, podem ajudar a limitar o consumo de açúcares na dieta e podem ajudar na prevenção de certas doenças (obesidade, diabetes mellitus) quando combinados com uma alimentação equilibrada e moderada. Por outro lado, é de realçar que por si só não garantem uma alimentação mais saudável e podem manter a preferência pelo sabor doce, dificultando a adoção de bons hábitos alimentares.

O equilíbrio
Mais do que escolher entre açúcar ou adoçantes, o objetivo deve ser reduzir o consumo global de alimentos muito doces. Algumas estratégias simples podem fazer a diferença no dia a dia:
– Preferir fruta em vez de sumos e sobremesas doces;
– Evitar bebidas açucaradas, reservando-as para ocasiões especiais;
– Escolher versões naturais de iogurtes e cereais;
– Não adicionar açúcar ou adoçantes nos primeiros anos de vida.

Mensagem final
O sabor doce não precisa de ser eliminado, mas deve ser consumido com moderação. Mais importante do que substituir o açúcar por adoçantes é ajudar a criança a habituar-se a sabores mais naturais, construindo assim hábitos saudáveis para a vida.

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