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Letra de médico

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O termalismo

O tema do termalismo caldense tem múltiplas formas possíveis de ser abordado. Poderemos falar dele sob o ponto de vista histórico, económico ou político, sob o ponto de vista do seu valor em Saúde ou sob o ponto de vista da defesa do património.
É natural que não haja consensos!
Poderemos abordar o real desinvestimento do Ministério da Saúde nos últimos anos, falar da inevitável intervenção da Câmara mas também da forma como a mesma foi feita, da necessária defesa do património edificado, do respeito pelas memórias e pela história da cidade, do Compromisso da Rainha, da evidência científica do benefício das águas termais… Mas hão-de sempre surgir dúvidas, angústias, questões…
Quando cheguei a Caldas, em 1985, lembro-me de ter visto uns cartazes, evocativos do 5º centenário da fundação do Hospital Termal, que tinham como título “Caldas da Rainha – cidade das termas”. Que aposta estratégica foi feita nos últimos 30 anos pelas autoridades autárquicas? Caldas da Rainha, cidade termal? Caldas da Rainha, cidade da cerâmica? Caldas da Rainha, cidade das artes? Caldas da Rainha, cidade do comércio?
No que respeita ao termalismo, não creio que tenha havido uma linha de rumo definida. Tergiversou-se. Andou-se aos ziguezagues. Adoptaram-se estratégias de mal menor…
O que queremos? Um Hospital Termal a funcionar em Caldas da Rainha? Repito: Hospital? Com médicos (internistas, otorrinolaringologistas, reumatologistas, fisiatras), enfermeiros, assistentes operacionais, nutricionistas, psicólogos, terapeutas? Com meios complementares de diagnóstico, internamento, acompanhamento médico diário, diagnósticos bem definidos, planos terapêuticos claros e orientados para a patologia em causa, avaliação dos benefícios por classificações rigorosas?
Ou queremos uma estância termal? Eventualmente com alguns tratamentos sob prescrição médica mas principalmente orientada para tratamentos termais à la carte? Digamos… um banho de imersão, um tratamento de espadana, um duche de Vichy… Neste caso, e sem desprimor, valorizando uma vertente de turismo de bem-estar, de spa – sana per aquam…
Desde o seu início, o termalismo caldense passou por diferentes fases. Começou com a benemerência da Rainha D. Leonor, foi, segundo se consta, o primeiro Hospital Termal do mundo, foi procurado pela família real no século XVIII (D. João V), impulsionado por Rodrigo Berquó, no século XIX. As Caldas foram águas de tratamento para pobres e indigentes. Foram termas da moda, da realeza e da burguesia. Durante algumas décadas do século XX, o Hospital Termal foi ainda um verdadeiro hospital, com quadro clínico, enfermarias e internamentos.
Não é mais um verdadeiro Hospital. Um hospital público só pode existir com apoios do Estado, classificado pelas autoridades centrais dos serviços de saúde, como hospital especializado ou outro.
O edifício do Hospital Termal manterá sempre a sua dignidade, poderá receber aquistas, poderá ser o centro, o coração, duma estância termal futura, mas não será nunca um verdadeiro hospital.
Voltarei ao tema do termalismo e do seu relançamento.
Mas à luz da realidade actual, se hoje, a Rainha D. Leonor, vinda de Lisboa, em marcha lenta e atenta, passasse por Óbidos a caminho de Alcobaça ou da Batalha, o seu compromisso, numa perspectiva de promoção de cuidados de saúde para as populações, seria – mais do que a preocupação com o relançamento do termalismo -, criar condições para proporcionar ao Povo, um novo hospital geral de agudos no Oeste.

António Curado
curado.a@gmail.com

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