
O título e o subtítulo deste livro de Onésimo Teotónio Almeida (n.1946) são um achado de ironia de Theodor Adorno a João de Melo – entre o título latino e o subtítulo português. O primeiro lembra a gratidão e a lealdade enquanto o segundo desenha os Açores numa frase curta: «A terra é pouca e o mar infinito». Os textos aqui reunidos foram escritos entre 1994 e 2014 e os autores feitos tema destas comunicações, prefácios, artigos e outras participações em livros colectivos «estão todos mortos, todavia são ainda-vivos. Fazem parte do cânone literário e do imaginário açórico.» O ponto de partida deste volume de 230 páginas (nada mínimo!) é um facto: «Os Açores viveram entre os meados da década de 80 do século passado e o início do presente milénio, o mais dinâmico período da sua história cultural.» O autor parte do chão dos Açores para o espaço universal: «senti-me micaelense quando fui para a Terceira mas senti-me açoriano no Continente e na Espanha senti-me português. Mais tarde, na América senti-me europeu e na China senti-me ocidental.» Há uma frase de Vitorino Nemésio em 1932 (famosa, sintética e incisiva) que marca uma época: «Para nós a geografia vale outro tanto como a história!» e o autor deste livro começa com uma adversativa a «Mau tempo no canal» de Vitorino Nemésio (a cidade da Horta) mas sabendo que o resto de Nemésio é rural. E prossegue: «Dias de Melo é Pico e muito mar. Martins Garcia é também Pico no seu melhor. Alguma Horta e Lisboa no romance «A fome». Álamo Oliveira será talvez o mais urbano com o seu «Pátio de Alfândega» e alguns contos. João de Melo é Achadinha, um mundo remoto bem longe da cidade. Em «Gente feliz com lágrimas» Lisboa entra e está toda em «Um homem suspenso». Fernando Aires é citadino. Cristóvão de Aguiar é todo freguesia no seu (e meu) Pico da Pedra. Vasco Pereira da Costa é angrense em muitos contos e coimbrão no romance. Daniel de Sá é freguesia, a Maia, a uma hora da Ribeira Grande.»
Concluindo se refere o nome dos autores aqui revisitados, entre outros temas mais gerais: Vitorino Nemésio, Arruda Furtado, Antero de Quental, Pedro da Silveira, José Enes, Dias de Melo, José Martins Garcia, Fernando aires e Daniel de Sá. Curiosa a ligação de Tostoi a Antero; em 15-3-1889 anotou: «Levantei-me cedo outra vez, trabalhei imenso. Li Quental. Bom.»Por fim uma história passada com Emanuel Félix em Paris. Ao dialogar com um patrício a viver em Paris já há mutos anos, o poeta angrense pergunta-lhe por dificuldades em não se perder na confusão da cidade. A resposta é lapidar: «Eu antes de vir aqui para Paris andei no mar muitos anos. O mar é muito grande, não tem letreiro nenhum e eu nunca me perdi!»
(Editora: Companhia das Ilhas, Capa: Jorge Aguiar Oliveira, Revisão e Índice: Vasco Medeiros Rosa)







