
O usufruto deste livro é toda uma grande festa a juntar o texto e as ilustrações que não é possível reproduzir numa curta ficha de leitura. Como convite à leitura fica o conto «O lápis surdo»: «Quem é que terá tudo a triste ideia de pôr os animais a falar, nas histórias para crianças? – Não sei – escreveu a máquina de escrever, O lápis fez como se não tivesse ouvido a pergunta. Mas a máquina de escrever não tinha papas nas teclas. – Esse lápis é mudo! E surdo que nem uma porta! A porta não gostou do que ouviu. Escancarou-se toda, rangendo nos gonzos quanto podia. – As portas não são surdas! Porque é que dizem sempre «surdo que nem uma porta? É mesmo uma ideia sem pés nem cabeça! Essa frase faz a ideia explodir. – Eu não tenho pés nem tenho cabeça! Nunca vi nenhuma ideia com pés ou cabeça! Pés e cabeça são coisa de que nós não precisamos! E, por entre toda aquela algazarra de tantos fala-barato, o lápis – surdo ao diz-que-diz – continuava a correr mudo pela folha de papel, a correr mundo fora pela folha fora, cobrindo-a e palavras, beijos, palavras…»
(Editora: Sulfúria Edições, Apoio: Sociedade Portuguesa de Autores, Desenhos: Ramiro S. Osório)





