Terça-feira, 3 _ Fevereiro _ 2026, 21:26
- publicidade -
InícioOpiniãoRubricas SemanaisPromessas escritas na água

Promessas escritas na água

-

Das belas palavras a antever futuros radiosos, desvanecidas depois ao vento e em bruma, conhecemos o timbre enganoso e o travo agridoce. Acorrem à memória, carregadas com o seu lastro de chumbo, sempre que se falar, por exemplo, da Linha do Oeste ou então da 2ª fase de desassoreamento da Lagoa de Óbidos. Numa, a modernização prevista para ser concluída até 2020, foi adiada sine die, decisão tomada antes das eleições e só agora divulgada pela Infraestruturas de Portugal, empresa resultante da fusão (controversa) da Refer com a Estradas de Portugal; Noutra, apesar dos erros técnicos que se avolumam em dunas, nas margens da lagoa, com essa areia que, pouco a pouco, vai regressando ao local de onde foi retirada, a anunciada e rejurada continuidade de intervenção que passava pela elaboração de um projecto específico em Setembro e arranque da obra logo em Janeiro, esvaiu-se por completo, remetida, ainda outra vez, para as calendas. O desprezo acintoso pelos compromissos assumidos e pelas legítimas aspirações dos cidadãos, apoucados estes como algo de descartável e de nula importância, porque tidos por facilmente manipuláveis, manifesta-se em toda a sua cínica crueza.
Quanto ao Centro Hospitalar do Oeste, após uma querela estéril e provinciana sobre a localização do novo hospital, resultou daqui o assunto tombar no negrume do esquecimento nunca mais se aludindo (por parte dos decisores políticos, entenda-se) à possibilidade da construção do imprescindível complexo hospitalar, dimensionado e concebido em função de correctas e facilitadas acessibilidades (incluindo heliporto) bem como dos mais modernos requisitos e exigências técnicas em termos médico-cirúrgicos, propiciando qualidade de funcionamento dos serviços de Saúde, urgências, internamento, consultas clínicas e conforto no acolhimento das pessoas. Pelo contrário, enquanto, de tempos a tempos espaçados, se vão dispendendo verbas com obras de remendo e recurso que jamais resolverão o problema de fundo mas apenas o eternizam, o que se alvitra agora, a pretexto duma falsa maior agilização administrativa e recurso a meios financeiros diversificados, é o surgimento duma EPE – Entidade Pública Empresarial, não pertencente à administração direta do Estado, desenvolvendo assim a sua actividade nas mesmas condições e termos aplicáveis a qualquer empresa privada e na qual a prestação de cuidados de saúde deixa de constituir uma função social, sendo enfatizado o primado da componente económica. Ao arrepio do SNS, os utentes são vistos como clientes e a Saúde passa a negócio que visa o objectivo do lucro, cuja optimização em nome da «rentabilização de meios», gera o aumento da precariedade laboral e o risco real de redução ou encerramento de valências.
A visão das promessas escritas na água para logo de seguida se diluírem na correnteza, reaparece, no âmbito do CHO, com a assinatura, de afogadilho, do protocolo de cedência do Hospital Termal e seu património para o município de Caldas da Rainha. Considerando que o legado da Rainha conferiu personalidade jurídica própria ao Hospital e este ser pois, de certa forma, um ser autónomo, levanta-se, com algum fundamento, a hipótese de se estar perante um acto nulo à partida dado que a Direcção Geral do Tesouro e das Finanças pode ter transferido bens patrimoniais que não pertencem ao acervo geral dos bens do Estado.
Mas isto é tema para ser desenvolvido na próxima crónica, com a atenção e o detalhe que amplamente justifica. Até lá!

José Carlos Faria
jcrffaria@gmail.com

Loading

Artigo anterior
Próximo artigo
- Advertisment -

Edição #5628

Edição Digital

Capa da Semana


VER CAPA


FAÇA LOGIN

Acesso exclusivo a assinantes
Gazeta das Caldas

Assinaturas do
Centenário

Condições exclusivas para celebrar 100 anos de história.

Ver Campanhas
Até 31 de Julho de 2026
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.