Opinião Poder Local – Caldas da Rainha

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Carlota Oliveira
 Coordenadora do Núcleo Territorial da IL 

O património do Hospital Termal foi cedido à Câmara por 70 anos, ficando esta responsável pela sua administração, manutenção e valorização. Não tivemos acesso ao Contrato de Cedência, admitindo que seja semelhante ao do Parque e da Mata. Nos últimos 30 anos, o Hospital foi encerrado várias vezes, muitas delas devido à presença de Pseudomonas, incluindo a mais recente. Enquanto entidade gestora, cabe à Câmara garantir a qualidade das águas e assegurar uma adequada monitorização e controlo das instalações, prevenindo a presença e propagação de microrganismos.
A Câmara contratou uma entidade externa para a Direção Clínica e recorre a serviços externos para análises laboratoriais regulares. Porém, verificámos que existem apenas dois contratos desde 2024: um celebrado em 28/03/2024, por 278 dias, e outro em 10/08/2026, por 1096 dias. Não encontrámos contrato formalizado entre 01/01/2025 e 10/08/2026. Esta lacuna levanta legítimas dúvidas sobre a regularidade do controlo laboratorial e sobre a eventual relação com a suspensão dos serviços deste ano. É igualmente preocupante a ausência de investimentos relevantes na manutenção e renovação dos equipamentos e estruturas do Hospital. A degradação do património não pode ser ignorada quando está em causa a qualidade e segurança de um serviço termal com esta importância histórica e turística.
Perante isto, importa questionar as prioridades da Câmara: estará a privilegiar a divulgação, publicidade e marketing em detrimento da conservação e valorização do próprio património? O Hospital Termal precisa de investimento, manutenção e gestão rigorosa, não apenas de promoção.

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