Opinião Poder Local – Caldas da Rainha

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Daniel Rebelo
Presidente da concelhia do PSD

Quando se discute a Feira dos Frutos, a atenção tende a focar no cartaz, nos visitantes e no custo. Mas que objetivos queremos alcançar, lugar deve a fruticultura ocupar na estratégia das Caldas?
A Feira nasceu em 1978, afirmando a economia ligada ao território. Ao regressar, em 2016, recuperou uma ambição: apoiar e divulgar a hortifruticultura, aproximar produtores, técnicos e investigação, melhorar o acesso aos mercados e projetar as Caldas além da região. O modelo manteve-se até 2019, tendo um interregno imposto pela pandemia. Ao regressar em 2022, já pelo executivo Vamos Mudar, surge num formato mais curto, com alterações ao recinto, mantendo-se até 2025. Dez anos depois, o que queremos deste evento? O modelo de 2026 trouxe vantagens: gratuitidade e uma ocupação mais contida do Parque. Mas os números colocam questões. Em 2025, 64 dos 160 expositores estavam ligados à fruta e à agricultura. Em 2026 apenas 30, entre cerca de 130.
Afinal que lugar ocupa aquilo que dá nome à Feira? Quantos produtores envolve? Que oportunidades cria? Que mercados alcança? Que retorno deixa ao setor? Como se prolonga além da Feira? Onde se reflete na Praça da Fruta, nos refeitórios escolares ou na restauração? Onde encontram os agricultores, na Câmara, apoio para desenvolver o setor? As jornadas técnicas, criadas em 2016 para prolongar a componente profissional, perderam regularidade e visibilidade.
Um evento estratégico exige objetivos claros e uma visão articulada com o território. Se a Feira é uma aposta do concelho, o investimento deve ser avaliado pelo valor que cria e deixa, não apenas pelo público. Senão, arrisca tornar-se um momento de convívio, onde cabe tanta coisa, mas cada vez menos fruta.

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