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Presidente da Câmara retira pelouros a Conceição Henriques, que se irá manter como vereadora

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Conceição Henriques ao lado de Vítor Marques na apresentação da equipa do Vamos Mudar à Câmara nas últimas autárquicas

A decisão do Presidente da Câmara das Caldas foi comunicada aos vereadores na sessão de Câmara de segunda-feira, onde a vereadora não participou por se encontrar em serviço em Bruxelas

O presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, informou na reunião de Câmara da passada segunda feira (12 de outubro), da retirada de todos os pelouros à vereadora Conceição Henriques. A comunicação foi feita no final da reunião, tendo o autarca remetido explicações para próxima sessão, na qual a vereadora já deverá estar presente.

Gazeta das Caldas tentou, por sucessivas vezes, contactar Vítor Marques, mas este nunca se mostrou disponível para explicar a tomada de decisão, optando por enviar um comunicado, na passada terça-feira (fecho da edição) às 17h51, No documento escrito esclarece que a decisão foi tomada no “exercício” das suas responsabilidades enquanto presidente da Câmara Municipal e “previamente, comunicada, presencialmente”, por ele à vereadora Conceição Henriques. “Entendi que uma vez tomada e comunicada, deveria também dar conhecimento da mesma ao Executivo Municipal, garantindo que a Câmara seria inequivocamente uma das primeiras instâncias a ser informada”, refere.

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“Governar implica fazer escolhas, avaliar, ajustar e decidir. Cabe ao Presidente definir a organização da equipa e assegurar uma gestão coesa, articulada e alinhada com as prioridades estratégicas definidas para o concelho. É com esse sentido de responsabilidade que assumo esta decisão e a condução desta nova etapa”, refere Vítor Marques, acrescentando que têm decisões “estruturantes pela frente, projetos em concretização e compromissos assumidos com os caldenses que exigem capacidade de execução, estabilidade e uma visão comum”.

Vereadora continua em funções não executivas
À Gazeta das Caldas, a vereadora Conceição Henriques confirmou que foi-lhe “comunicado no sábado de manhã [10 de outubro] que iria deixar de ter todos os pelouros”. No entanto, a autarca não irá abandonar a Câmara continuando, agora sem funções executivas, a participar nas reuniões e Assembleia, bem como noutras iniciativas como os restantes vereadores. “Eu vou manter o meu lugar na Câmara por opção minha até ao final do mandato, porque fui eleita”, salientou.
Conceição Henriques encontra-se em Bruxelas (Bélgica) desde domingo, em representação do Município, a participar na Semana Europeia das Regiões e Municípios e de onde deverá regressar amanhã, sexta-feira. Remete a sua declaração sobre o assunto para a próxima sessão de Câmara.
Questionada sobre o futuro dos projetos no âmbito dos seus pelouros, Conceição Henriques, que não quis comentar a decisão do presidente da Câmara, referiu apenas que “seguramente, o Sr. Presidente, antes de tomar a decisão, há-de ter-se inteirado do que eu tinha e arranjado um plano para eles”.
Eleita, pela primeira vez, nas listas do Vamos Mudar (VM) há cinco anos, Conceição Henriques viu, já em abril deste ano, o presidente da Câmara tirar-lhe os pelouros dos Recursos Humanos e da Juventude.

As reações da oposição
O PSD não se quis pronunciar antes de ouvir as explicações que espera que venham a ter lugar na próxima reunião de Câmara, de segunda-feira, referiu Hugo Oliveira à Gazeta das Caldas. Já o vereador do Chega, Luís Gomes mostra a sua apreensão com o futuro do mandato autárquico. Considera “deselegante” o anúncio feito pelo presidente da Câmara sem que a vereadora estivesse presente e lembra que, já em abril, lhe tinha retirado alguns pelouros e agora os restantes, quando ainda “não passou um ano de mandato autárquico”. “Temos de perceber o que é que vai ser feito ao nível da gestão municipal e se a vereadora mantém o lugar ou se “este vai para pessoas que não foram eleitas”, referindo-se a quem está a seguir na lista do VM à Câmara, Pedro Seixas, atual chefe de gabinete de Vítor Marques.
O vereador do Chega considera que esta decisão do presidente da Câmara “desfez” o movimento Vamos Mudar e que “há uma vontade de querer pôr o PS a governar” já no primeiro quarto do mandato autárquico. “Quer dizer que o Movimento Vamos Mudar foi um “testa de ferro” do Partido Socialista para ganhar as eleições”, considera Luís Gomes, mostrando a sua apreensão “com o futuro da localização do novo Hospital do Oeste”.
“Isto é basicamente um desfazer do projeto político e daquilo em que as pessoas votaram”, assume o vereador na oposição, lembrando que mais de nove mil eleitores votaram no Vamos Mudar, mas que agora o “PS está a ter espaço para poderem crescer, de baixo para cima, no executivo”.

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