
O orador, que durante muitos anos foi administrador e consultor de empresas, disse aos presentes, muitos eles empresários, que é importante “fazermos coisas que nos dêem felicidade” e que a componente social é fundamental.
João Sá Nogueira realçou que a missão da empresa deve continuar a ser a rentabilidade, mas actualmente “quem não investiga e não inova perde o comboio”, disse, dando como exemplo a Renova que, enquanto produtor de papel teve a coragem de inovar e descobrir novos nichos de mercado com a produção do papel higiénico colorido.
O empresário fez um resumo dos diversos tipos de empresas que existem para destacar como a mais completa a empresa cidadã, que cria valor nas suas dimensões económica, ambiental e social. “Entendo que uma empresa é uma pessoa e, como tal, pode ser boa ou má cidadã”, disse, realçando que a empresa cidadã assume a sua responsabilidade social e incentiva os seus colaboradores a participarem de forma voluntária nas iniciativas da comunidade.
Referindo-se às Caldas da Rainha, João de Sá Nogueira lançou pistas para a promoção de voluntariado, nomeadamente de acções ambientais na Lagoa de Óbidos, de preservação do património na cidade ou de fomento do desporto nas camadas jovem e sénior.
A interacção das empresas com a sociedade pode também ser feita através de donativos, mas essa “é a maneira mais fácil”, revela, defendendo que é importante ir mais longe e promover parcerias com a comunidade.
E estas acções não se dirigem apenas às grandes empresas, uma vez que uma micro-empresa pode, por exemplo, deixar a instituição próxima usar o seu correio electrónico, ou ser tutora de um grupos de alunos.
“A cidadania empresarial traz muitas vantagens pois junta o valor social e o económico, dando reputação à empresa e ao valor da marca”, referiu, acrescentando que também sai reforçado o espírito de equipa e orgulho na empresa.
João de Sá Nogueira deu o exemplo do GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, do qual é presidente da mesa da Assembleia Geral. Esta associação sem fins lucrativos, que tem como objectivo a promoção do conceito de cidadania empresarial e de responsabilidade social das organizações, foi formada em 2000 e conta actualmente com cerca de 90 empresas, que actuam em áreas de negócio muito diversificadas.
O palestrante desta iniciativa organizada pelo Rotary Club das Caldas, também é director executivo da Fundação Infantil Ronald McDonald. “É útil vivermos um bocado para os outros”, disse, referindo-se à fundação infantil que já possui 300 casas em todo o mundo e que está instituída em Portugal desde 2000. A primeira casa foi construída em Lisboa e inaugurada em 2008, tendo já recebido mais de 400 famílias. Trata-se de “uma casa longe de casa” para os familiares e as crianças que se deslocam da sua residência habitual para receber tratamento no Hospital D. Estefânia, em Lisboa.
O próximo objectivo é a construção de uma casa no Porto, junto ao Hospital de S. João, que apoiará gratuitamente famílias e crianças em tratamento naquele hospital e também no Centro Hospitalar do Porto e no Instituto Português de Oncologia da Invicta.
Presente na palestra Sabrina Ribeiro, da direcção da AIRO, lembrou que para se fazer cidadania empresarial não é necessário despender de muito dinheiro. A responsável informou ainda que estão a criar, na associação industrial, a Academia de Talentos, com base nos desempregados apoiados pelo Gabinete de Inserção Social.
“Muitos estão à beira do abismo e precisam de apoio, de alguém que os envolva em projectos, até de voluntariado”, disse, acrescentando que as primeiras iniciativas são acções de formação de Excel e Inglês, dinamizadas pelos próprios desempregados.
Esta bolsa de talentos que está a ser criada será depois dada a conhecer às empresas da região.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt








