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Acusado de homicídio em Óbidos fica em silêncio no arranque do julgamento

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O homem acusado de um crime de homicídio consumado e de dois homicídios tentados, ocorridos em março de 2025 numa residência no concelho de Óbidos, permaneceu esta quinta-feira em silêncio na primeira sessão do julgamento, que decorreu no Tribunal Judicial de Leiria. O arguido, estafeta de profissão e atualmente em prisão preventiva, responde ainda pelos crimes de detenção de arma proibida e violação de domicílio.

Em causa está a morte de um homem de 72 anos e os ferimentos graves provocados à mulher, de 69, e ao filho do casal, de 30 anos, na sequência de uma alegada dívida de 500 euros. De acordo com o despacho final do Ministério Público, divulgado pela agência Lusa, a família conhecia o arguido há cerca de quatro anos, período durante o qual este trabalhou com o filho do casal na agricultura, mantendo depois negócios conjuntos cujos contornos não ficaram totalmente apurados.

No âmbito dessas relações, o arguido terá vendido um automóvel ao septuagenário pelo valor de 500 euros, quantia que nunca chegou a receber, situação que, segundo o Ministério Público, lhe terá provocado “grande revolta”. O despacho refere ainda que o arguido era visita habitual da residência das vítimas e chegou mesmo a viver ali durante um curto período, conhecendo bem a casa e sabendo que as janelas da marquise, embora fechadas, não costumavam estar trancadas.

Segundo a acusação, na madrugada de 21 de março de 2025, cerca das 03h00, o arguido deslocou-se de Lisboa até à habitação da família, num motociclo, munido de uma faca cujo cabo tinha sido forrado com fita adesiva para garantir maior firmeza ao desferir golpes. Movido por um sentimento de vingança, entrou na casa pela marquise e matou o homem de 72 anos, que dormia sozinho.

O ruído provocado pelo ataque acordou a mulher da vítima, que dormia noutro quarto com a neta, menor de idade, bem como o filho do casal e a sua companheira, que se encontravam noutra divisão. A mulher e o filho acabaram por ser esfaqueados várias vezes, tendo o jovem tentado proteger a companheira. Quando se deslocava para a divisão onde estava a filha menor, para impedir a entrada do arguido, este seguia-o, gritando em inglês “perdi o meu dinheiro, perdi a minha família”.

O jovem escorregou e caiu, momento em que o arguido se colocou em cima dele e tentou atingir-lhe o peito com a faca, tendo a vítima conseguido agarrar a lâmina pelo gume. A companheira segurou o braço do agressor e a mãe, para afastar o arguido do filho, atingiu-o na cabeça com duas peças decorativas. Segundo o Ministério Público, as lesões sofridas pela mulher e pelo filho eram suscetíveis de provocar a morte, caso não tivesse havido socorro rápido.

A companheira do jovem e a criança não sofreram ferimentos, graças à proteção assegurada pelas vítimas, conseguindo refugiar-se num quarto, onde trancaram a porta, tendo sido feito o contacto com o 112. Para o Ministério Público, o arguido atuou com intenção de matar as três vítimas, entrando de forma sub-reptícia na residência durante a madrugada, motivado por um “motivo fútil”, relacionado com a alegada dívida de 500 euros.

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Edição #5625

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