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Analista internacional caldense está de partida para Islamabad

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O caldense vai integrar a equipa da embaixada portuguesa no Paquistão

O caldense Nuno Lemos viveu na sua terra natal até completar o ensino secundário, na Raul Proença.
Atualmente está de partida para Islamabad, para uma missão voluntária na embaixada portuguesa. Fará parte de uma missão de diplomacia política e vai trabalhar com o embaixador português e a sua equipa em temas de segurança regional. “Será uma experiência muito rica”, contou o jovem à Gazeta das Caldas.
Após a licenciatura em Gestão de Informação, na Universidade Nova, Nuno Lemos fez pós-graduações em Gestão de Informações e Segurança, em Segurança e Defesa e em Globalização, Diplomacia e Segurança. Passou pela Nova, pela Católica e ainda por entidades europeias.
“Sempre estudei e trabalhei em simultâneo”, contou o caldense que enquanto frequentava a licenciatura formou na sua universidade uma associação sem fins lucrativos, a Junior Data Consulting que teve parcerias com a Deloitte e a KPMG que serviu “para nos formar” em 2020. Também fez estágios de verão na Gulbenkian e passou para o mundo empresarial pois, sem ter terminado a licenciatura, Nuno Lemos já estava a trabalhar na Microsoft, na área da Gestão e da Inteligência Artificial. Cedo tomou contacto com o ambiente multicultural, pois a sua chefia estava….na Jordânia.
“Trabalhei sempre a tempo inteiro e estudava à noite. É preciso uma boa gestão de tempo mas habituamo-nos ao ritmo”, contou o jovem que depois trabalhou para o Comité Português das Nações Unidas e que passou pela Unicef em campanhas de angariação de fundos, tendo trabalhado com doadores individuais.
“Comecei a escrever artigos de opinião, primeiro enviando colaborações espontâneas”, contou o caldense que passou a ser publicado nos jornais Público e Observador escrevendo sobre as crises emergentes e também sobre terrorismo e conflitos armados que se passamo pelo mundo. “Até que recebi um convite de uma produtora, que por causa dos meus artigos me convidou para fazer comentário televisivo”, disse o caldense. Primeiro, Nuno Lemos fez comentário internacional na SIC Notícias e depois noutros canais como a CNN, a Now e a RTP. Iniciou a sua colaboração televisiva quando foi iniciado o conflito entre os EUA e o Irão pois a sua pesquisa académica incide sobre o Médio Oriente.
Em breve, Nuno Lemos irá iniciar o seu doutoramento que irá incidir sobre Intelligence Diplomacy ou seja com questões relacionadas com os contatos diplomáticos entre países.
O que mais o preocupa no conflito EUA e Irão “é a falta de estratégia do primeiro”, que está a dar força a uma política anti-islâmica e anti-muçulmana com consequências humanitárias desastrosas. “Está subjacente uma eterna ideia de que estamos em guerra permanente com o Médio Oriente”, referiu o analista.

Resistir aos convites políticos
O caldense já foi convidado para integrar alguns partidos políticos mas, para já, vai resistindo aos convites.
Nuno Lemos defende valores como democracia, igualdade e inclusão. Na sua opinião precisamos de ser “cidadãos mais ativos que possam dar contributos para solucionar os problemas”.
Considera-se “muito atento e curioso”, caraterísticas que o têm ajudado no seu percurso.
Nuno Lemos considera ainda que a sua geração “herdou um sistema internacional algo partido e fragmentado e cabe-nos a sua reconstrução e ainda criar o futuro que nós queremos”.
Na sua opinião, Portugal tem um papel importante nos fóruns internacionais pois possui várias comunidades portuguesas pelo mundo.
No que diz respeito à segurança internacional considera que o seu país poderia até servir de “ponte” entre países e ter um papel de “mecânico ou de reparador “ nas conversações pois “falamos com todos e temos um papel privilegiado no mundo, além de sermos a porta de Europa”.
Nuno Lemos esteve recentemente na 8ª edição da escola de verão da Comissão Europeia que teve lugar na Lousã. “Foi ótimo para sentir que a Europa está mais perto”, contou o participante que ainda sublinhou o facto destes encontros com especialistas dos vários setores da UE terem dado primazia ao interior do país, em detrimento dos grandes centros urbanos.
A sua ida para Islamabad, no Paquistão, marcada para o início do próximo mês, vai permitir-lhe “fazer parte do processo diplomático” num país que concentra atualmente “o que são as forças de poder da Índia, da China, da Rússia e do Afeganistão”.
No último ano e meio, contou, tem escrito e especializou-se sobre uma região que na verdade está a sete mil quilómetros de Portugal.
“Temos que conhecer o cheiro da região de que estamos a falar”, disse Nuno Lemos, que quer também aprender a língua e perceber como é viver daquele lado, para ter a percepção “do que é viver naquelas circunstâncias”.
Perceber como são essas vivências fazem-nos “despir de preconceitos”, rematou o caldense.
nnarciso@gazetadascaldas.pt

O analista é comentador da área internacional em vários canais televisivos lusos
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