A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou ter recebido uma denúncia sobre a desinfecção da praia de São Martinho do Porto. Depois da notícia dada em primeira mão pela Gazeta das Caldas, duas associações ambientais reagiram, salientando a toxicididade dos produtos e questionando a necessidade de desinfectar um areal vazio.
No início do mês de Maio, a Junta de Freguesia de São Martinho do Porto desinfectou a o areal da praia com uma solução que continha hipoclorito. Dias depois, o presidente da Junta, Joaquim Clérigo, confirmou a acção à Gazeta das Caldas, esclarecendo apenas que utilizou três litros de hipoclorito para um depósito de 400 litros de água e escusando-se a tecer mais comentários. Mas a polémica ganhou outros contornos.
Questionada por este jornal, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) explicou que “teve conhecimento desta acção através de uma denúncia, recepcionada no passado dia 2 de Maio, em que o denunciante informou sobre a circulação, no areal da Praia de São Martinho do Porto, de um veículo pesado da Junta de Freguesia que, alegadamente, procedia à colocação de produtos lixiviados no areal”.
Aquele organismo “contactou, de imediato, o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, que informou não terem os serviços desta entidade emanado qualquer orientação naquele sentido”. Depois terá sido o próprio autarca, Paulo Inácio, que “solicitou ao presidente da Junta de Freguesia, a imediata cessação da operação de limpeza do areal”.
A APA referiu que após esse contacto, “um dos Vigilantes da Natureza da APA/ARHTO deslocou-se ao local, tendo verificado a cessação da acção, não tendo sido possível recolher evidências de qual a área abrangida”.
A notícia, dada em primeira mão pela Gazeta das Caldas, foi replicada a nível nacional e gerou reacções de associações ambientalistas. Ao Público, a ZERO mostrou-se contra esta acção e salientou o impacto ambiental significativo deste tipo de produtos, defendendo ainda que não existem motivos para que as Juntas de Freguesia gastem dinheiro neste tipo de intervenção.
Por seu turno, a Agência Portuguesa do Ambiente fez notar que “a aplicação de produtos clorados ou outros desinfectantes em vias públicas resulta num processo ineficiente do ponto de vista de desinfeção e com potenciais efeitos nefastos para os meios aquáticos e cadeia trófica”. Acresce que “alguns destes subprodutos de maior toxicidade são voláteis, pelo que constituem igualmente um risco directo e imediato para os operadores, durante o processo de desinfecção, dado que o material de protecção individual utilizado não preconiza a protecção do risco químico”. Ao JN, a Quercus admitiu as suas dúvidas sobre um eventual impacto nocivo deste químico no ecossistema da praia e questionou a fiscalização das quantidades utilizadas.





